segunda-feira, 4 de maio de 2026

(DES) EXISTIR

 

Quando algo surge, um processo comutativo começa a ganhar forma. Tal comutação é a fusão entre uma energia e uma vontade, que por sua vez, é uma energia. As coisas não surgem sem uma intenção, qualquer que seja ela; portanto, a energia, ainda que se desloque aleatoriamente à procura de algo, e, à medida que ganha forma, tal forma procura ser uma forma, às vezes mais complexa, às vezes mais simples, a partir do que nos compreendemos enquanto simples. 

Uma vez algo existindo, não pode (des)existir, ou seja, deixa de existir. Pode até desistir de ser uma forma inicial, até desaparecer enquanto forma, mas a energia do que desapareceu não se apaga, para sempre existe. 

Uma vez existindo, para ter consistência, precisa de definição, repetição, forma. Surgem então as leis: toda ação seguindo a mesma lógica de ação energética se torna um padrão. Um padrão cria um elo, um elo, a dinâmica, a dinâmica, a matéria, a matéria, a forma.

Mas, o que é algo? É aquilo que potencialmente sendo e existindo quer se experimentar na forma.  E o que é a potência? É a latência entre o que é e o que está em devir- a-ser. Uma vez sendo, transforma-se, pois, a energia não é estática; ela se reexperimenta ad infinitum, já que sua dinâmica é a transformação.

Por que a energia se transforma em matéria, ou melhor, por que a matéria é um dos estados da energia? Porque a matéria é o estado mais densificado da energia, a instância em que suas propriedades mais estatizadas permitem que a capacidade transformadora da própria energia se reinvente continuamente.

Um outro aspecto se dá pelo fato do observador se reconhecer na própria criação, enquanto se encontra em seu estado energético a potência está latente, mas sem forma definida na matéria. A energia se reconhece na forma da matéria.   

Além disso, tudo o que emana da fonte inicial, da fonte criadora primordial, da FONTE, é fruto dela, tem as mesmas propriedades dela, já que a fonte não pode criar algo antagônico a si mesma, então, o que emana da fonte não entende como foi criada. Pode entender o porquê, mas não “como”, pelo simples fato de que o incriado, único que sempre existiu, cria coisas infinitas depois de criadas, mas não pode estabelecer para suas criações e criaturas o mesmo estatuto de incriação, pois emanou dela, ou seja, possui um ponto de origem, ela. O que surge da FONTE não é incriado, posto que teve uma origem.   

Sendo assim, uma energia emanada da fonte primordial, do incriado, também pela energia pode e cria coisas densificadas, mas necessita da matéria para experimentar a si mesma. A matéria, uma vez desfeita, desaparece enquanto forma, mas não enquanto potência, pois não (des)existe, já que foi emanada da Fonte. O finito surge do infinito, passa a ser infinito, só não consegue ser incriado, ou seja, não ter um início.