quarta-feira, 24 de junho de 2020

Desejo e criação: PARTE II


PARTE II

O desejo manifesto passa a compor a existência, sendo a existência a expressão do desejo. Não que existência e desejo sejam a mesma coisa, mas existência assume a forma do desejo. A vida passa a ser a forma como a desejamos.

Um ponto fixo. Um pensamento ganhando forma. Aos poucos, a vida se confunde com aquilo que pensamos e o que pensamos, vai se materializando. O ponto cresce e se torna feixe. O feixe se amplia criando outras conexões. As conexões criam nexos e os nexos sentidos. A vida se confunde e passa a ser medida pelos sentidos atribuídos a ela.

Um desses sentidos é a noção de ego, “equivocadamente”, interpretado como o eu. É um eu, mas não o eu mais profundo. Mas esse eu interpretado como sendo eu, é um sentido tão cheio de si, que se confunde com a própria noção de existência.

À medida que o tempo passa, esse Ego toma conta da vida. Atribui significados, conota sentimentos, atribui valores. Como cada existência é medida por esse Ego, a vida é um repertório de egos em disputa.

Às vezes, esse Ego se atrela tão profundamente a certezas, que qualquer outra interpretação sobre a vida se torna inexequível. Ou, outras vezes, tais certezas são a própria ideia de vida. Como qualquer outra mediação está obnubilada por tais certezas, todas as vezes que o Ego é contrariado, a vida é lida enquanto adversária. É a vida contra o Ego. Não é a vida ampliando as possibilidades do Ego, convidando-o a abrir mão de suas certezas, e sim, a lidima das vicissitudes, “massacrando” o eu.

É uma eterna batalha vencer o eu, que significa não encerrar a vida, mas um tipo de disputa, ampliando as possibilidades da vida e convidando o eu a aumentar a exponencia dos sentidos da vida. O Ego encara a batalha como a morte de si pleno, quando se trata de transmutação. Não admite “perder para si mesmo”, pois sua mudança implica abandonar os pontos fixos, os feixes, os nós que os trouxeram, até onde se encontra.

Como transmutar os nós e encarar a possibilidade de novos feixes ainda não vivenciados? Eis a questão!! Diante do insólito, do não vivido, do inesperado, as velhas batalhas. É mais fácil lidar com o trilhar desenhado, que galgar novos caminhos. A segurança, ainda que não segure mais nada, que não faça mais sentido, que não apresente mais nada, que só reforce os mesmos caminhos já trilhados, é incomensuravelmente mais confortável que o desconforto do não saber por onde caminhar.

O Ego teme a morte, não apenas a morte física, mas a morte de si. A morte é a única certeza da vida que se tem: a morte como recomeço, como princípio, como reinício, como vida. Tudo morre, para mais uma vez, viver. Tudo morre, para mais uma vez, renascer. Tudo esvanece, para mais vezes, florescer. O Ego não deveria temer a morte, pois a única real e verdadeira morte é o medo de viver. É quando a morte se antepõe, não enquanto continuidade da vida, mas sim, enquanto antivida. Morte e medo são silogismos.

São as mesmas faces da mesma moeda, mas não a morte como renovação, e sim, enquanto não renovação. O medo é libelo do antinovo, é a chave que não vira, o não bater de asas, é o voo não alçado, a lagarta que não vira borboleta por temer o voar, pois sempre rastejou.

É preciso morrer. É preciso deixar morrer os feixes, os pontos, os nós, os eus, dar passagem a novos feixes, pontos, novos eus. Assim, o ciclo viver-morrer se completa, se renova, para mais uma vez, viver-morrer.

Se os pensamentos não se desvanecem, outros pensamentos desses mesmos pensamentos não brotam. Outras possibilidades dessas mesmas possibilidades não se possibilitam. Nenhuma nova variação não varia. As palavras novas não surgem. Os significados continuam significando as mesmas coisas. Os Nós não desatam.

É preciso celebrar a morte, pois ela entende o que é vida, enquanto a vida, só se compreende enquanto não morre.     

  
 

terça-feira, 12 de maio de 2020

DESEJO E CRIAÇÃO: PARTE 1


Há uma estreita ligação entre a introspecção e a descoberta de mundos. As descobertas do que existe fora de nós, como se fosse possível existir o fora, ou como se o fora não fosse extensão do que há dentro enquanto projeção, enquanto vibração, ou ainda enquanto soma das coisas que somos nós, são reencontros. Não que sejamos a medida de todas as coisas, e sim que as coisas são mediadas, atravessadas para serem percebidas, ainda que existam independentes de nós. 

Mediadas, aquilo que media, meio, existente por ser nem começo, nem fim, processo, instante eterno-fugidio, eterno-fugaz, eterno-volátil, presente-ausente. O que media, conecta. O que conecta, liga, o que liga, cria pontes, ilaça. As pontes tocam extremos, servem de passagem ao mesmo instante em que são em si passagens.

Somos pontes, somos meios, somos passagens e estamos de passagem. Somos eternos, mas nem sempre existimos. Como pode algo ser eterno mesmo sem nunca ter sempre existido? Talvez, pela razão de que algo, depois de criado, passando a existir, para sempre exista, ainda que pereça.

A ideia de mesmo nunca ter sempre existido para algo existir é em si paradoxal, preexiste enquanto força, ideia, potência, vontade, desejo. O existir é o desdobramento do que preexiste. O que preexiste antes do existir é, então, uma potência de si, necessitando de algo que, pelo desejo, o torne real. Desejo e potência do que preexiste, ainda que não sejam a mesma coisa, passam a ser, pois que, depois de efetivado, o que passa a existir é uma ação do desejo.

A introspeção cria mundos, ou os mundos se revelam pela introspecção. Se aquilo que é imaginado passa a existir, então somos cocriadores de mundos, ou os mundos se apresentam a nós pelos nossos desejos de (re) encontrá-los. Os desejos são as potências da criação e, ao mesmo tempo, as vontades manifestas dos mundos de continuarem a existir em nós, por nós e em nós.

Os nós são os laços que nos afetam e nos atam ao desejo de sentir o que é existir. Existir, então, passa a ser uma forma mais elaborada do preexistir, pois o existindo tem a necessidade de se expandir, criando coisas novas, preexistentes dentro de nós, a tal ponto de não sabermos mais o que é preexistente do existente.

A introspecção cria mundos ou é criada por eles? Se os mundos são criações das introspecções, então só existem dentro de nós, e, no entanto, existem em nós e além.

Por que introspectar? Porque talvez seja a melhor forma de encontrar outros mundos para além do que enxergamos, ou porque os mundos existem dentro de nós e só podem ser acessados olhando para dentro. Um grande enigma, talvez, repouse nisto: os mundos se escondem dentro de nós mesmos, sendo espacialmente infinitamente maior que nós. Como pode o macro caber no micro? Como pode aquilo que foi criado antes se esconder dentro de nós? Porque os nós atam dois mundos: o do desejo e o da ação, sendo os mundos ações dos desejos.

Pelos desejos criamos mundos e os mundos são as nossas moradias, dentro e “fora”. Por que precisamos de mundos para morarmos? Porque o desejo do preexistir necessita da forma manifesta para a efetivação de suas extensões, uma vez que a ação manifesta reverbera o desejo e porque uma vez dentro eles querem se expandir.  

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

MAGnífica

MAGnífica

Há um pote com amontoados de letras
que com o toque das mãos retraídas revolvem palavras inteligíveis.
Quanto mais se misturam, mais palavras inaudíveis.

As mãos não formam palavras concatenadas, 
porque a mão que toca, 
ainda que seja a que escreve, 
sempre obedece a um outro que tece.

As combinações de palavras são infinitas,
como infindo é o desejo de vê-las rodopiando.

O pote sempre estará ali à espera não apenas de mãos intencionadas,
mas da tessitura de letras à procura de novas palavras.

Palavras são desejos encarnados em grafias de sons, de símbolos, de outros desejos.

O pote ali, sempre ali, ecoa novas palavras. 
Outrora retraída, 
agora a mão revolve incessantemente à procura das que nunca foram ditas.

MAGnífica, 
enfim encontrada, 
forma agora sons audíveis. 

É a matriz da qual se formam poemas. 
Se o poema é o desenho da poesia,
MAGnífica é a encarnação da melhor palavra.      .      

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Sincronicidades: da infância a Cabo Verde


Para Rômulo e Ramon, Tatiana Reis, Alberto Antero, Cláudio Ramos, Kaká Barbosa e Vera Duarte 


Em 19 de outubro de 2012 publiquei uma crônica sobre Cesária Évora (https://versura.blogspot.com/2012/10/cesaria-evora-doce-voz-de-cabo-verde.html).

 A crônica versa sobre como tomei contato a “doce voz de Cabo Verde”! Era criança, tinha entre 07 e 08 anos, quando, embalados pelas festas alvissareiras da minha casa, minha irmã Bete, a mais velha, sempre colocava na vitrola a música “Regresso”, cantada pela marrom Alcione, letra de Almicar Cabral, música de José Agostinho, depois regravada por Cesária.

Trinta e um (31) anos depois, já morando no Rio de Janeiro por conta do doutorado, ingressei num grupo de cultura popular por nome sugestivo de Mariocas: (maranhenses e cariocas), coordenado pelos gêmeos dançarinos Rômulo e Ramon, o mesmo que na minha adolescência assistira no Brasil Legal, programa de televisão comandado Regina Casé, sobre o reggae em São Luís.

Num dos preparativos de nossas apresentações, a companhia ensinava percussão para crianças do morro da Mangueira, no Centro Cultural Cartola, enquanto eu afinava o crivador no fogo, comecei a preparar a indumentária para dançar Jongo e tocar Tambor-de-Crioula. Ramon pediu que eu assistisse um documentário. Era exatamente sobre Cesária Évora. As lembranças me sobressaltaram.

Semanas depois fomos convidados a participar da celebração de convênios entre Cabo Verde e o Brasil na área de educação com a presença do presidente africano. O ano era 2005. O convênio estendia a integração entre os dois países e permitia mais entradas de estudantes do país-arquipélago no Brasil. Depois da celebração, houve uma grande festa da Universidade Santa Úrsula, na zona do sul do Rio, e tive a oportunidade de conversar com vários estudantes daquele país. 

Eu pensei que minhas relações com o país das dez ilhas no meio do Oceano Atlântico acabariam por aí. Ledo engano.

Treze anos (13) depois, pela insistência da amiga e colega de Departamento Tatiana Reis, comecei a me interessar pela literatura cabo-verdiana. Ela estudara o movimento intelectual conhecido por Claridosos, das décadas de 30 e 40 do século XX, que recebeu forte influência da literatura brasileira, notadamente da geração de 30 (José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, dentre outros), determinante para a ereção de um sentimento de caboverdianidade na literatura, com repercussões na identidade nacional e conseguinte emancipação política de Portugal na década de 60.

Lembrei-me que, no meu doutorado, quando estudei Trajano Galvão, Francisco Dias Carneiro e Antonio Marques, em meados do século XIX, tais autores bradaram uma ideia de um romance “tipicamente maranhense” tendo por ilação as influências culturais africanas. Foi o mote que encontrei para retomar algo que não havia aprofundado no doutorado e que há muito me interessava e me incomodava por ter abandonado. Quando a FAPEMA lançou o edital IECT (Economia Criativa), formulei uma proposta de pesquisa sobre literatura brasileira (notadamente a maranhense), tendo como fulcro central Trajano Galvão, Francisco Dias Carneiro e Antonio Marques Rodrigues e os PALOPS (Países lusófonos africanos: Cabo Verde, Moçambique, Angola e São Tomé e Príncipe; deixei de fora Guiné Bissau por questões orçamentárias). O projeto se intitula Périplo Literário. Convidei Tatiana para compor a equipe de pesquisadores e demos início ao projeto.

Em julho de 2018 pedi a minha agente de viagens, Luzenir Farias, que comprasse minha passagem para Cabo Verde exatamente para esse mês por conta das minhas férias na Universidade, não queria que o projeto atrapalhasse as aulas. Passagens compradas, busquei um Airbnb no bairro Central de Praia, capital de Cabo Verde, Platêau, Centro histórico, coração da cidade. O proprietário da casa, Alberto.

Depois de três dias em Fortaleza esperando um voo em vão para Cabo Verde, a companhia aérea TACV me comunicou que não havia previsão de embarque e eu decidi retornar a São Luís completamente frustrado.

De volta a São Luís, retornei a Luzenir e solicitei a providencia de uma nova passagem antes de minha viagem para Moçambique, em janeiro de 2019, já que pelo projeto não poderia sobrepor o cronograma das viagens. Ela comprou para outubro de 2018. Assim foi feito.

Ao chegar em Praia, fui recebido no aeroporto por Alberto. No trajeto, me mostrou o apartamento que eu ficaria no Platêau, mas estava em reforma e, portanto, ficaria com ele em Achada de Santo Antônio. Alberto é irmão de Kaká Barbosa, um dos grandes escritores caboverdianos, membro da associação de escritores caboverdianos, ex-integrante da frente de libertação do país perante Portugal, correligionário do grande movimento dos PALOPS (países de língua portuguesa na África), liderado por Amilcar Cabral.

Por indicação de Tatiana, entrei em contato com Cláudio Ramos, funcionário do Patrimônio Histórico e Cultural, que tem seu escritório exatamente em Cidade Velha, antiga Ribeira Grande de Santiago. Cláudio me levou até Cidade Velha. Na chegada, fomos recebidos por uma grande baleia jubarte, bem em frente ao antigo porto do cais. Sentamos em um bar tendo por horizonte aquele imenso mar azul turquesa, as ondas quebrando nas pedras negras da praia, céu límpido, as vielas da antiga cidade por fundo, aquele cenário bucólico da cidade cinzeta, quase nunca chove, tombada como patrimônio histórico da humanidade, a visão de onde partiam os navios abarrotados de sujeitos escravizados além atlântico, tendo o Brasil como um dos destinos.

Peguei meu celular, coloquei no youtube a canção Regresso, cantada por Alcione. Estava ao lado de Claudio e quando chegou o trecho:

A chuva amiga mamãe velha
A chuva que há tanto tempo não batia assim
Ouvi dizer que a cidade velha
A ilha toda em poucos dias já virou jardim

Dizem que o campo se cobriu de verde
Da cor mais bela porque é a cor da esperança
Que a terra agora é mesmo o Cabo Verde
É tempestade que virou bonança


As lágrimas correram dos meus olhos. Ouviu-se um silêncio entre mim e Cláudio. A baleia seguiu sua viagem.

Depois disso, Cláudio começou a me mostrar a cidade, a antiga construção da vila feita pela Cia. do Comércio, que tinha como sucursais exatamente as Companhias de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, no século XVII, e depois da segunda Cia. do século XVIII, já na administração de Marques de Pombal. Foi estranho ver as imbricações entre Maranhão e Cidade Velha naquelas ruínas. O passado estava ali presente.

Tão emocionante quanto andar por aquelas vielas, foi conversar com os moradores, artesãos, agricultores, perceber nossas raízes, ser convidado para adentrar nas casas e tomar grogue, pinga, produzida da mesma forma desde o século XVII. Foi assim que meu amigo Cláudio me levou para a casa de seu amigo Francisco, o Chiquinho, um guia de turismo, estudioso da história de Cabo Verde e das relações transatlânticas, profundo conhecedor da região, e juntos tomamos uma garrafa inteira de grogue. À medida que conversávamos e bebíamos, nos sentíamos como grandes e velhos amigos e as conexões ficavam cada vez mais imbricadas. Falávamos como se estivéssemos matando saudades de um tempo que não nos lembramos, mas sabíamos que existiu. E quando nos despedimos, Chiquinho me abraçou e disse:

_ É muito bom te reencontrar, velho amigo!!! Antes de partir para o Brasil volte aqui, tem algo que eu preciso te mostrar e vais gostar de saber!!!!.... Cláudio olhou-me fixamente e não disse sequer uma palavra. Eu não voltei... Mas as palavras de Chiquinho engasgaram-me com o nó na garganta, como quem engole um guarda-chuva.        

No dia seguinte, fui à Tarrafal, outra ponta da ilha de Santiago, visitar o campo de concentração fascista onde entre as décadas de 30 e 60 foram presos cabo-verdianos, moçambicanos, guinenses e portugueses que lutaram contra o regime totalitário, notadamente os intelectuais, poetas, escritores. Naquela manhã insólita de domingo, eu era o único visitante naquele mausoléu de tortura, de paredes riscadas pelas mãos que, no passado, lutaram por liberdade, que sentiam o cheiro do mar tão próximo e exatamente pela localização de difícil acesso para lá foram levados. O mar que os trouxera era o mesmo que os afastara de tudo, do mundo, isolados naquela ilha. No lugar do passado de muitos sussurros, ais, gritos e mordaças, só o silêncio aturdia entre os muros altos cercados de arame farpado, de agora guaritas solitárias e vazias. As paredes desbotadas do tempo eram o painel das marcas das dores dos que por ali passaram e hoje são o suporte para os painéis informativos da história do lugar. Mas nenhum painel ilustrativo será capaz de narrar o espaço diminuto de uma solitária afastada da área central hoje tomada pela relva, cubículo claustrofóbico coberto com tela de zinco, chamado frigideira, cujo calor ultrapassava os 50 graus, destinados aos mais rebeldes.        

Ao voltar para Praia, Alberto já havia comprado minha passagem para Mindelo, capital da ilha de São Vicente, e reservado meu hotel para o prosseguimento da pesquisa. Quando o avião sobrevoou a ilha de São Vicente, me deparei com a mesma cena que vira quatro (04) anos antes durante meu processo terapêutico de cura interior e autodescoberta numa das sessões de hipnose (terapia de regressão). Numa delas, as últimas com o Drº Arquimedes, na clínica Eldorado, no bairro de mesmo nome em São Luís, vi-me sozinho no alto de uma montanha cinzenta avistando a cidade lá em baixo. As cenas são muito vívidas até hoje, sou capaz de descrever a grafofagia das montanhas, os traços, as marcas, a posição. Quando o avião riscou as montanhas da ilha de Santo Antão, vizinha a São Vicente, reconheci de imediato a montanha, a posição que me encontrara na hipnose de quatro (04) anos antes. Era o mesmo lugar.   

Ao chegar ao Café Royal, centro da cidade, ao lado do centro cultural Mindelo, vejo os retratos de cantores e cantoras cabo-verdianos que por lá passaram, havia sido um grande salão de festas, de apresentações culturais. Dentre as fotos, se destaca a de Cesária Évora.

Percorrendo as cenas citadinas, participando de rodas de capoeira – Mindelo é chamada de A Brasileirinha -, cheguei até o restaurante de Srº Luiz, antigo marinho mercante que rodara o mundo e adorava o Brasil. É um restaurante antigo, o mais antigo de Mindelo, com paredes salpicadas de fotografias, de reportagens e com assinaturas das pessoas que por lá passaram, de vários lugares do mundo, sem faltar a flâmula do Sporting Club de Lisboa, time do seu coração. Lá, conheci a roteirista de cinema Adriana Mattos, baiana, que estava em Mindelo, dentre outras coisas, pesquisando sobre Cesária Évora. Contou-me detalhes do que descobrira sobre Cesaria, sua história, tragédias pessoais, onde morara, suas disputas políticas. Era o período no Brasil entre os dois turnos das eleições presidenciais de 2018 e não faltou na nossa conversa a questão brasileira, nossas preocupações, acompanhado inclusive da análise de Srº Luiz.

No Centro Cultural Mindelo, depois de uma busca desesperada por todos os órgãos de cultura em Praia sobre a obra rara Hesperitanas, de José Lopes, datada de 1929, bem como Hespéridas, de Pedro Cardoso, de 1930, um funcionário foi em busca de alguém na cidade que a possuía e pediu-me que a fotografasse ali mesmo, pois precisava devolvê-la ao dono.

A obra retrata, dentre outras coisas, o imaginário caboverdiano sobre a lendária Atlântida, cidade retratada por Platão em Timeu e também em Critias, da qual os cabo-verdianos se dizem herdeiros. A mitologia cabo-verdiana atesta que as dez ilhas são exatamente um dos pontos de refúgio dos atlantes que sobreviveram a hecatombe, o afundamento, e que os gregos, milhares de anos depois, teriam transformado nos jardins das hespérides, a morada das ninfas, situado às margens do rio Oceano, guardado por uma serpente, que simboliza a transição entre a noite e o dia. Ao conversar com moradores de Tarrafal, e também com os de Mindelo, muitos conheciam o mito e comecei a me interessar pelo assunto. Passei a devorar a obra de Pedro Cardoso e José Lopes e escrever sobre o assunto. 

Quando voltei à Praia, encontrei-me com Kaká Barbosa e o entrevistei sobre literatura Cabo-verdiana e, em seguida, com Vera Duarte, outra grande escritora, no café Nho Eugênio. Quando comecei a conversar com Vera sobre o que descobrira em Mindelo, ela abriu o sorriso e disse-me que o texto que enviaria para a coletânea qual eu e Tatiana estamos organizando e que ela é uma das convidadas é exatamente sobre a relação entre Cabo Verde e a Atlântida.

De volta ao apartamento, Alberto perguntou-me a minha impressão sobre Mindelo. Quando comecei a relatar as “coincidências”, sincronicidades com Cesária Évora ele abriu o sorriso, levou-me até o quarto onde eu estava hospedado e disse-me num sotaque caboverdiano:

_ “Meu caro amigo Henrique, este apartamento que ora estais é exatamente o mesmo que Cesária Évora ficava todas às vezes que vinha até a capital. Éramos grandes amigos, bem como ela de Kaká, meu irmão, e ela adorava ficar aqui hospedada". 

Quando, em Mindelo, Adriana Mattos me perguntou o que eu fazia ali e comecei a explicar da pesquisa, abri o celular e comecei a ler para ela a crônica: Cesária Évora: a doce voz de Cabo Verde. Perguntei que dia era aquele, Adriana respondeu: _ 19 de outubro.

Exatamente a mesma data em que, 06 anos antes, publiquei a crônica.          

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Uma questão de escala

O olhar. Um olhar. Olhares....

Goya, pintor espanhol dos séculos XVIII e XIX conseguiu enxergar nuances de uma tela ainda não executada que até os dias de hoje causam impressão súbita de espasmo. A variedade sobre a vida repousa nas diferenças, isto porque cada um impinge com suas retinas os matizes de um mundo ou multicolorido ou furta-cor.

Ao abrirmos os jornais hoje damos conta de um mundo em caos, e está mesmo, a questão é: porque e por quanto tempo? Além disso, pairam outras questões como se o caos fosse o horizonte a ser visto, o que ele esconde ou que subjaz em suas entranhas. O caos possui razão em si mesmo ou ele é o agente de transformação? É possível o nascimento de algo novo seu o componente de mutação? O caos não se trata de um aspecto da dualidade, afinal, no seio de um processo não existe outro em seu bojo? 

O que os jornais, mídia coorporativa de modo geral relatam soam como catastróficos em pleno século XXI: o ressurgimento de movimentos fascistas; o recrudescimento das democracias alhures; o aumento da concentração de renda planetária; a péssima distribuição de renda; o aumento da pobreza; a explosão da violência; aumento da poluição e devastação das florestas, serrados; a extinção de animais; a truculência de aparelhos repressores do estado; a inserção de golpes em democracias neófitas; ameaça de terceira guerra mundial; a explosão de ódio e raiva revertido em ações como a assunção da extrema direita; atentados terroristas; o controle da indústria farmo-quimica sobre a promoção e divulgação de resultados no combate às doenças; guerras localizadas gerando deslocamentos populacionais gigantescos com problemas como o da imigração, refugiados, dentre tantas outras coisas que a princípio, a primeira reação é de desânimo, de constatação de que a humanidade enquanto experiencia civilizacional fracassou. Correto? Errado.

Esses elementos, embora não sejam novos, são decorrentes de um longo processo de embates que a terra passa há milhares de anos, mas que recentemente se acirram pela luta em prol da libertação do planeta, cujas extensões estão cada vez mais evidentes. O que estes fatores acima indicam não é o fracasso da humanidade, e sim, uma disputa ferrenha entre grupos que sempre a controlaram, na verdade, nem sempre, e um número crescente de pessoas que passam a tomar conhecimento do que se esconde por detrás das lógicas de dominação e manipulação da informação. Além disso, a disputa entre "bem" e "mal" é maniqueísta, simplista, afinal, o processo dialético da superação envolve a simbiose entre as luzes e a suposta "trevas". Trevas não passam de ignorância, ou seja, desconhecimento. Só existe Luz.   

A mesma mídia que tem pressa em noticiar e alardear grandes catástrofes, crises, tensões e disputas sociais é pífia, risível quando se trata de divulgar ações como: a plantação de 1 bilhão de árvores pelo Paquistão em 2017, antecipando a meta em 04 meses; o fato de El Salvador ter proibido a extração de  metais de seu solo; Costa Rica recuperou sua floresta nativa; a mata Atlântica brasileira dando sinais de recuperação; avanços no campo cientifico aliando pesquisas neurológicas e espirituais, energéticas (imposição de mãos, aura, desdobramento astral, reiki); aumento do número de pessoas que se recusam a usar agrotóxicos; aumento do veganismo; vegetarianismo; de comunidades que aboliram o uso de dinheiro; aumento do voluntarismo; aumento da crítica ao consumismo; denúncia contra a manipulação da indústria farmacêutica; a ampliação da informação e da divulgação de informações importantes; aumento considerável de um contingente global contestando a ordem vigente e despertando para processos existenciais para além do materialismo; o anúncio eminente de um reset financeiro global, dentre tantas outras coisas. Como se vê: tudo é uma questão de perspectiva e de escala, de onde pretende-se olhar, o que consideramos importante e o direcionamento de determinadas informações.

É claro que o aumento do caos é real, no entanto, a forma como se aborda tal questão, o que se esconde e, sobretudo, os processos de mudanças oriundos do caos não são objetos de interesses dos controladores da informação. Mais uma vez, tudo é uma questão de perspectiva e de escala.

Uma das questões que não são anunciadas são as transformações astronômicas porque passa a terra, tais como: as atividades solares, a mudança de rotação do eixo terrestre, a entrada do planeta no centurião de fótons de Alcione, a aproximação com a andrômeda, a chegada do planeta Hercólubus e como essas questões afetam profundamente o estado de consciência coletiva global. Sim, pois que até mesmo a relação entre o cosmos e o estado de equilíbrio humano nos foi suprimido e até mesmo negado, legando-se à noção de cissiparidade, divisão, desarticulação entre tudo, como se nada tivesse interligação, como se não existisse o UM.

Como muitas dessas questões nos foram obliteradas, negadas, suprimidas por sistemas religiosos castradores, por uma cultura competitiva e predatória, por uma educação limitante, por um sistema econômico que nos transformou em coisas, objetos de sua sanha acumuladora, a existência terrana se tornou por deveras difícil, quase insuportável. Digo quase porque se fosse insuportável a lógica da vida e, por conseguinte do amor não fariam o menor sentido, além de colocar em suspeição o plano divino da aprendizagem, da capacidade que nós temos de escolher as circunstâncias, lugares, pessoas e situações para o aquinhoamento da compreensão sobre a existência, daquilo que precisamos para o nosso aperfeiçoamento, melhoria, avanço, sabedoria e ajuda mútua. Mais uma vez o que está em questão é a perspectiva, a escala e a forma como escolhemos o que é viver para cada um a partir do princípio do livre-arbítrio.

Para os que acreditam que a vida não se encerra no plano da matéria, que existe vida pós-morte, que o cosmos possui um sentido, que o amor é a força mais esplêndida que existe e que por ele tudo foi feito e retorna, fazendo da terra um lugar de aprendizagem, embora um dos mais difíceis de todo o cosmo, enxergar a existência terrestre, até então imersa na densidade da tridimensionalidade como uma experiência insuportável, ou quase, é também uma questão de escala.

Por tridimensionalidade ou 3ª dimensão entende-se o jogo da divisão, da separação de tudo como se nada fizesse sentido, um lugar e ao mesmo tempo uma condição em que fonte e criatura seriam unidades distintas e não interligadas, bem como tudo o que existe, a percepção de que não somos merecedores de nada, não somos bons, somos maus, vis, a vida se encerra no plano material, as únicas coisas que fazem sentido são aquelas que podem ser provadas pelos cinco sentidos, só existe vida inteligente na terra, o presente repete o passado, não há nada de novo, tudo já está estabelecido, a ética é uma dimensão distinta da compaixão, do amor, da justiça, a vida foi benéfica e voluntariosa para uns, injusta para outros; enfim, um complexo relacional que nos trouxe até aqui, quer dizer, exatamente onde nos encontramos: a sensação de que a experiência humana fracassou.

Há além disso a sensação de que todo esse fardo foi é pesado demais para ser suportado, qual seja: o de viver na terra. Outro equívoco. Milhares de seres de várias orbes, lugares do cosmo gostariam de experienciar a existência terrana exatamente por saberem do seu grau de dificuldade, bem como dos benefícios que tais dificuldades lhes proporcionariam, a saber, um acúmulo existencial sem precedentes exatamente pelo véu da separação, a ilusão de maya, a densidade da matéria, a benção do esquecimento, o invólucro da matrix, que no plano da consciência e dos cinco sentidos nos impede de enxergarmos quem realmente somos: divinos, perfeitos, como aliás, tudo o que o criador fez e faz.

É exatamente pela existência deste véu que somos levados pelo ego a cognominar o criador e o plano de divino de injustos, afinal, qual é o sentido em viver num mundo caótico como esse? Qual é o sentido da vida? O esquecimento retroalimentado pelo ego chora a vida inteira pela dor do parto, pela perda da proteção e segurança do útero materno. Somos sabotados por nós mesmos e levados a desconsiderar a profunda existência encoberta pela consciência e pelo uso fragmentado entre mente e coração, guiando-nos inclusive a recalcitrar à justiça do universo, afinal, a vida na terra sempre foi penosa. Outro equívoco.

A vida na terra só adentrou na tridimensionalidade há 26.000 anos atrás após as quedas de Atlântida e Lemúria. Antes disso, vivíamos na 5ª dimensão, logo, em circunstâncias muito melhores que as de hoje. Sendo assim, o período de existência na tridimensionalidade, colocado em uma escala comparada com bilhões de anos, muitos inclusive antes mesmo da existência física da terra, se torna algo não irrelevante e muito menos trivial, muito pelo contrário, foram difíceis e quase insuportáveis, mas não fazem do cosmo uma consciência injusta. Quer dizer, além de termos escolhido vivermos na tridimensionalidade para o nosso aperfeiçoamento, o período vivido como dévicos, anjos, seres celestiais é muito superior se comparado ao do afastamento na densidade da ilusão da separação. Aliás, o criador só consentiu que vivêssemos na tridimensionalidade, primeiro pelo nosso próprio livre-arbítrio, segundo, por saber que o acúmulo vivencial de bilhões de anos como dévicos era suficiente enquanto suporte para a experiencia densa, trágica, pesada, penosa e custosa do caos. Numa escala proporcional se compararmos bilhões de anos na 5ª dimensão e alhures com 26.000 anos de tridimensionalidade, veremos que o instante errático da terra em sua imersão da noite escura, apesar de dolorosa, é apenas um ponto na imersão do cosmos infinito. E tal experiência na tridimensionalidade está definitivamente se encerrando. A terra está nesse exato momento no corredor do parto, pronta para renascer na sua condição de origem, abandonando um período de 26.000 anos de trevas. 

Quando chegarmos a essa condição vamos nos lembrar dos tempos difíceis como aprendizagem, oportunidade e gratidão. Mas tudo é uma questão de escala e perspectiva.                                                                     

   

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

No bolso da camisa



Todos os dias William Autumn fazia o trajeto a pé de sua casa até a Universidade de Vancouver. Para o professor de Filosofia da Linguagem, caminhar era uma forma de manter a conexão consigo mesmo, ainda que com os barulhos dos carros. Espelhara-se em Sêneca sobre o princípio de pensar com os pés. Arguto observador comparava as tonalidades das árvores durante as estações, mesmo no inverno, cujos termômetros acinzentavam as folhas, mas branqueavam o chão de neve.

Certa vez, sua caminhada foi acompanhada de preocupação, a respiração ficou mais ofegante, a observação da paisagem perdeu o espaço para a alta explosão de seus neurônios em virtude da preparação para a conferência de abertura do Seminário sobre Filosofia e existência.

Pensara em seguir talvez os mesmos argumentos de Kierkegaard, Heidegger ou talvez Sartre, mas dizer o quê sobre a existência calçando as mesmas sandálias, os mesmos percursos de seus antecessores? O desafio era acrescentar, talvez contrapor, interpelar ou anunciar algo não pronunciado.

Deu-se conta que o ponto de partida deveria ser novamente a linguagem, sempre ela, a pletora edificadora de como enxergamos o mundo, a bem da verdade, constrói os randômicos princípios, teorias, hipóteses sentidos de interpretação e, depois de corroborados, alicerçados, apoiados e reverberados, deixam de ser aleatórios argumentos para serem teses, até serem novamente contestados.

De tanto pensar, afinal, a conferência se aproximara, sonhou sobre o tema. Teve um sonho tão inusitado a ponto de sentir que era real, via-se nele, interagindo, sentido como se estivesse acordado. No sonho, estabelecia um diálogo com alguém desconhecido, nunca antes visto, mas estranhamente “próximo”, como se no fundo não fosse tão desconhecido assim. O tal desconhecido prometera esclarecer um dos sentidos da existência, exatamente, um dos, afinal, cada pessoa constrói os símbolos de sua vivência, ainda que exista algo que unifique todas as outras: a imaginação sobre a vida.

Em tal imaginação coletiva, ainda que particularizada, todas as pessoas partem do mesmo princípio: o de que a vida é estabelecida a partir da percepção dos cinco sentidos. Era como se os cinco sentidos fossem a própria materialização da vida, logo, qualquer construção simbólica ou interpretativa inexoravelmente se origina nela. Sendo assim, pergunta William no sonho, isso cria um axioma indagando acerca daquilo que os sentidos não captam, porém existem. Por exemplo – indaga ele – sabemos que certos animais veem cores, ouvem frequências sonoras que os humanos não captam, então, o que seria realidade para eles não é a mesma nossa, afora o problema da linguagem, não conseguimos decifrar ou estabelecer grande comunicabilidade com os animais!! Seu interlocutor não retruca e permite que ele desenvolva o raciocínio chegando às suas próprias conclusões.

Então ele começa a mergulhar num campo de percepção sensorial deixando de lado todo o seu arcabouço conceitual, intelectual, perscrutando outras zonas de sensibilidade, como a tátil, a sentimental, numa fusão entre mente e coração. Deu-se conta de que a mente fora usada todo esse tempo como a única ferramenta de compreensão da vida, como se os demais órgãos, capacidades, não interagissem entre si, faltando inter-relação, controlados pela mente e seus jogos simbólicos de decodificação do mundo de tal forma tão irretorquível, tão inquestionável que passou a ser em si mesma o sentido da existência.

Quem teria começado o jogo da separação entre os demais órgãos e a mente e da mente com outras possibilidades existenciais? A chamada realidade exigiu uma interpretação da mente que, usando de uma linguagem racionalizada, passou a ser a intérprete da vida, ou a mente se colocou como única possibilidade interpretativa porque assim, calcada na separação, conseguia se notabilizar enquanto diferente? Isso abria uma série de leques e dúvidas, tais como: como a mente, outrora integrada a outros órgãos, “optou” pela separação para se sentir superiora? Quais as consequências da separação? Se a mente, fruto da separação, era limitada, então, todos os códigos interpretativos da vida, por conseguinte, são duvidáveis, ilusões? Se assim o é, então, os nossos sentidos sobre a vida estão alicerçados em falsas premissas? Qual foi o papel da linguagem nesse processo de interpretação, separação de outros órgãos e simbolização da existência?

Ele acordou sobressaltado. Claro, somente num sonho, longe do controle do consciente, tais questões ganhariam tal monta a ponto de não saber o que era ficção e realidade. Logo no sonho onde os códigos interpretativos ganham leveza, as certezas se diluem pela diluição da racionalidade. Correu para o bloco de anotações e começou a esboçar o roteiro da conferência.

À medida que fazia suas caminhadas lançava mão do bloco e acrescia tópicos para reflexão. Começou a ter sudorese pela falta de encadeamento, não havia ainda uma estrutura formal e sabia que a plateia o aguardaria ansiosamente. À proporção que anotava percebia conexões da linguagem com ela própria, ou seja, dependendo do argumento que utilizava abriam-se novos leques de interpretações, todas corretas porque não há erros, e sim, conexões que o pensamento a partir da linguagem, ou a linguagem leva pensamentos para novas miríades a tal ponto que a mente se enevoa nela mesma, nas suas próprias conexões e sinapses. É uma espécie de labirinto sem fim, abrindo portas, mais portas e mais portas. O problema para ele continuava sendo a separação com outros órgãos. Os demais também pensavam da mesma forma? Se pensavam, como estabelecer uma conexão com a mente que só entende sua própria linguagem?

Chegou o grande dia. Auditório lotado. É anunciado ao microfone seguido de um estrondoso bater de palmas. Caminha lentamente até o palco. Usava um blazer azul claro, camisa azul turquesa, calça de linho cinza, cinto marrom e sapatos pretos. Ao subir toca levemente no microfone testando-o. Coloca seus óculos, dá uma profunda expiração, olha para a plateia e retira um bloco de anotações do bolso da camisa. Passa a vista nas suas anotações e sobrevém-lhe na mente brancas nuvens, as palavras embaralham-se na sua frente, fazem um redemoinho, vê literalmente um formato de nebulosa. Silêncio na plateia. Um ligeiro suspense. Pede então a todos que fechassem os olhos e sentissem o que para eles era a existência. Sentir, não pensar, frisou. Neste instante, uma borboleta azul magicamente pousa sobre seus ombros. Ao sentir o voar da borboleta abre os olhos e a vê pousada no seu ombro esquerdo. Estica o braço puxando a manga do blazer para ver as horas: o marcador digital apontava 11:11h am. O silêncio estendeu-se. Aos poucos as pessoas isoladamente começam a abrir os olhos. Começou o burburinho. Quando todos perceberam o palco estava vazio, William Autumn não estava mais lá. Sobre o púlpito apenas os alfarrábios sobre o sentido da existência com anotações sem conclusões.                                               
    


                   

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Sobre os tubos de plasma récem descobertos em volta da terra



Segue na integra o conteúdo da reportagem publicada pelo UOL:

A estudante da Universidade de Sydney Cleo Loi, 23, conseguiu provar uma teoria que existia há 60 anos: de que tubos gigantes de plasma compõem os campos magnéticos que cercam a Terra. Até então os tubos nunca haviam sido observados.

Utilizando de um telescópio que capta sinais de rádio, localizado no deserto australiano, a jovem inventou uma forma de observar a magnetosfera da Terra em 3 dimensões e pela primeira vez a comunidade científica soube, com mais certeza, qual o formato do campo magnético.

A magnetosfera inclui a ionosfera e a plasmosfera, e serve como uma barreira de proteção para a Terra por causa das partículas emitidas pelo Sol durante as tempestades solares.
*   O resultado da pesquisa terá um resultado prático, já que um melhor entendimento da composição da magnetosfera permite que se evite a interferência em sistemas de navegação, como o GPS, por exemplo. Essas estruturas podem influenciar ainda as observações astronômicas. O estudo científico foi divulgado na publicação científica Geophysical Research Letters (e pode ser lido aqui em inglês). 
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Agora que a comunidade cientifica atestou a descoberta dos tubos de plasma, é possível avançar no debate sobre as formas de “isolamento” da Terra com outros planetas e seres.

No meu artigo “As mudanças enfim chegaram”, abordei sobre o funcionamento da matrix (a realidade alterada, distorcida) sob a perspectiva ideológica, mas não explicitei os dispositivos mecânicos que a operam.

Um desses dispositivos mecânicos relaciona-se à aplicação de vacinas; algumas delas funcionam como implantes (biochips), isolando certos aspectos do nosso DNA e prejudicando o desenvolvimento da glândula pineal.

O funcionamento do corpo humano ainda está muito longe de ser compreendido. Apenas recentemente foram descobertos os 12 filamentos do nosso DNA, fora os outros 10, cognominados pela biologia como “DNA lixo”, cuja função a ciência não sabe, nem o motivo de existirem.

Durante muito tempo e até os dias de hoje, há a compreensão de que os órgãos humanos desenvolvem meramente uma função mecânica biológica, ou seja, são responsáveis pela manutenção da bios (“vida”, em grego - diferente de Zoé, palavra que também em grego significa vida, mas na acepção existencial). As tradições sânscrita, hindu, budista, dentre outras, há muito apregoam a conexão da bios com as dimensões não materiais, tais como o mundo paralelo, as zonas espirituais, as percepções extrassensoriais, e, com meditação e uma alimentação adequada, é possível acessá-las.

Tais tradições são unânimes em afirmar que o que mantém a vida é a recepção diária de ondas energéticas através de receptáculos, chamados de chakras, espalhados por todo o corpo. Para se aprofundar um pouco mais, leia este artigo. Esses receptáculos, em forma de cone giratório, giram em sincronia, alimentando toda a rede neural (cinética), morfológica do corpo humano. O bom desenvolvimento da relação entre chakras e corpo humano evita a doença, ou seja, em última estância, toda doença é oriunda do bloqueio da recepção energética, de um desequilíbrio gerado a partir da forma como pensamos, sentimos, nos relacionamos, comemos, vivemos.

A potencialidade do nosso DNA ainda está longe de ser desvendada. Se os 12 filamentos tivessem sido decifrados, muita coisa já teria avançado, não só na cura de doença, como também no acesso às informações que até hoje permanecem desconhecidas. É sabido que usamos apenas 10% de nosso cérebro por causa das restrições das zonas cerebrais, e essas são resultado do uso parcial do DNA, fora o que podemos fazer com os outros 10 filamentos (“lixo”) e o que escondem.

As vacinas comentadas acima têm a capacidade de bloquear certas zonas e funções do DNA impedindo o desenvolvimento de nossas potencialidades, sem contar a criação de doenças, cuja indústria farmacêutica esconde e que, aos poucos, começam a ser desvendadas. Os remédios, por um princípio separatista e fragmentado do corpo, concebem o todo como parte, isolando suas funções. Dessa forma, a medicina alopata criou uma biblioteca, uma gama de informações do funcionamento do nosso corpo de forma fragmentada, isolada, fazendo com que nossos médicos sejam verdadeiros especialistas em determinadas áreas. Sobre a relação entre indústria farmacêutica, doenças e o grande capital, ver, dentre outros, este link:

O nosso DNA é uma estrutura aberta, com a capacidade de se metamorfosear, podendo ser alterado pela emissão de uma frequência sonora e energética, tal como o pensamento. O pensamento, que no fundo é uma rede de energia, possui a capacidade de emissão de frequências que vão além da caixa craniana. Todas as vezes que emitimos um pensamento, um feixe de energia se direciona ao que foi pensado, intuído. Isso ocorre com o pensamento direcionado para pessoas, sensações, obsessões, desejos sexuais, paixões, pulsões, pensamento fixo, neurose, dentre outras coisas.

O sétimo chakra é o coronário, situado bem no meio da cabeça. Ele devolve a energia pelo resto do corpo que vem da terra, possibilitando que cada órgão, de forma sincrônica, estabeleça sua potencialidade. E cada órgão, mais que exercer sua mera função biológica, instaura um vínculo com a emissão de ondas energéticas vinda do Cosmos.

E é aí que entram os tubos de plasma. Como tudo no universo é energia, os tubos impedem a entrada maciça de ondas energéticas; logo, se o chakra coronário não recebe ou recebe fragmentariamente, não repassa para o restante do corpo, este, por sua vez, não desenvolve toda a sua potencialidade. Esses tubos não apenas atrapalham sistemas de navegação como o GPS, mas também dificultam a recepção de sinais vindos do cosmos e, consequentemente, a informação sobre o que acontece para além da Terra.

Esses tubos possuem outro nome: Yaldebaoth - um programa plasmático, na verdade, uma entidade responsável pela quarentena da Terra (que durou 26.000 anos, acabará definitivamente em 2017). Essa informação já é sabida desde a década de 1970, quando os relatórios do Movimento de Resistência começaram a monitorar as atividades dessa entidade. Esses dados foram repassados para cientistas, jornalistas, pesquisadores, mas, como o seu teor foi considerado religioso, continuam sendo sistematicamente ignorados. Ora, por que, para milhões de pessoas ao redor do mundo, a descoberta dos tubos não foi uma surpresa? Porque já eram conhecidos, assim como seus efeitos. 

Semanalmente, Cobra (pseudônimo do líder da Resistência) divulga um relatório sobre as atividades de Yaldebaoth e a quantas anda sua desfragmentação. Isso mesmo: o primeiro tubo está em regressiva, e o último relatório dizia 80%, sem retorno. Sobre os relatórios do Movimento de Resistência e o monitoramento dos tubos de plasma, ver este artigo.

Como e por que Yaldebaoth está regredindo? Aqui entram as conexões entre matrix, DNA, chakras e ilusão. Yaldebaoth, embora possua ontologia, existência em si, é alimentado por nós diariamente. Eu explico. A entidade se alimenta das crenças humanas, da energia potencial enviada ao espaço pelos nossos pensamentos, sistemas de crenças. Como se trata de um parasita, a conjunção de nossas ações, oriundas do nosso campo energético, funciona como matéria-prima para uma usina de força.

Ora, se os animais, ainda que alimentados todos os dias, ao perceberem a falta de conexão com os donos moradores da casa definham, podendo chegar até a morte; se plantas que recebem carinho desenvolvem mais rapidamente que as demais; se nós, ao percebemos que não somos amados, sentimo-nos afetados, tristes; se quando entramos num ambiente “pesado”, “carregado”, percebemos a energia; se gostamos da presença de pessoas otimistas, vibrantes, e não gostamos das que são negativas, ranhetas, etc., por que Yaldebaoth não se alimentaria de nossas energias?

Se, de fato, essa entidade plasmática existe, por que então a espiritualidade (e nisso se envolve a Confederação Galáctica) não a retira, se tem poder para isso? Fiz esse questionamento há tempos, e demorei a entender. De tudo o que a espiritualidade se envolve na existência humana, a única em que jamais existirá interferência diz respeito ao livre-arbítrio. Quando decidimos encarnar na Terra, sabíamos dos riscos e de nossas missões, inclusive que o sentido da vida é descobrir quem somos e contribuir para a ascensão de todos, incluindo a Terra. Alguns podem argumentar que não sabem, não se lembram, mas existe uma forma simples de saber de tudo isso: o nosso registro akáshico, que é o conjunto de informações armazenadas no nosso inconsciente, que pode ser alcançado ao silenciar a mente, meditando.

Meditar consiste em silenciar a voz da mente, não controlá-la. Quando as ondas alfa do consciente baixam suas frequências, ao dormirmos, meditarmos, as ondas beta entram em ação, e o inconsciente (registro akáshico do nosso eu e do Universo) também.

Não será possível aqui neste pequeno artigo explorar as relações entre Ego, superEgo e AlterEgo, nem as conexões entre consciente, subconsciente e inconsciente, tampouco travar a disputa entre Freud e Jung, mas é possível afirmar que não somos os nossos Egos, e que o nosso desafio é estreitar as relações entre consciente e inconsciente. Só para ilustrar, quando entramos em sono REM (Rapid Eye Movement, ou, no nosso idioma, Movimento Rápido do Olho), nosso espirito sai do corpo, em desdobramento/ projeção astral, e vai para onde quer. Quando acordamos e nos lembramos das informações obtidas durante o sono, entra em ação o superego, que classifica tudo como quimera, ilusão, mito, fantasia, sonho, embora nem todo sonho seja fruto da projeção. Sobre isso ler A interpretação dos sonhos, de Freud. 

Mas ainda não foi dito por que a espiritualidade não intervém e destrói os tubos de plasma. A simbiose entre os tubos de plasma e nossas energias alimenta tal processo. Não somos vítimas, somos sujeitos, e todos os dias tomamos decisões na biopolítica e na macropolítica que interferem no desenvolvimento das micro e macrorelações, já que tudo está interligado. Podem as pessoas não acreditar, mas estamos conectados uns aos outros por um feixe de energia, já que somos uma rede. Então, nossas atitudes cotidianas interferem no planeta. A espiritualidade não destrói os tubos de plasma porque nós a alimentamos; eles só existem porque assim nós decidimos, sabendo ou não da sua existência. Todas as vezes que somos intuídos a fazer o bem, ainda que isso seja uma construção cultural, uma espécie de “intuição” dispara e somos movidos a praticar uma sensação a partir de uma voz oriunda do espírito, e ainda assim negligenciamos, ocultando nosso insight, nossa capacidade sensorial de ouvir nosso coração; alimentamos os tubos quando preferimos ouvir a voz que diz que a vida não tem sentido, que as opiniões divergentes não passam de pasmaceiras, numa atitude desrespeitosa de não considerar as diferentes trajetórias de vida e formas de percepção de cada um; todas as vezes que prejudicamos o outro intencionalmente, alimentamos os tubos de plasma; todas as vezes que a antiética prevalece sobre o sentido de equidade e igualdade, potencializamos os tubos; todas as vezes que violentamos o outro, quer simbólica, física, psicologicamente, alimentamos os tubos; enfim, o conjunto de nossas ações determina as nossas sociabilidades, nossa convivência. A opção pela melhor vida, mesmo com o caos, é, antes de qualquer coisa, uma atitude individual, a princípio, e depois coletiva. Por essa razão, a espiritualidade não destrói os tubos porque quem tem que optar por uma nova modalidade de vida somos nós.

Então, por que ele está enfraquecendo? Pela primeira vez em 26 mil anos, a entrada de luz na Terra é maior que a existência das trevas, da escuridão. Por que uma entrada maior de luz penetrou no planeta? Porque assim nós decidimos, e isso se intensificou desde 2012, quando os Maias preconizaram “o fim do mundo” muito antes da chegada dos europeus - o fim de um mundo e o nascimento de outro. Cada dia que passa, um número maior de pessoas opta pelo processo de libertar e liberar velhas egrégoras, velhas energias acumuladas há éons. Como resultado dessa intensa liberação, ocorre a explosão da violência, o retorno do fascismo no Brasil e no mundo, a intensificação de ataques terroristas de falsas bandeiras, a sensação de que 2016 foi um ano terrível. Ocorrem golpes, reviravoltas, tentativas de golpes, ameaças de guerra, cidadãos comuns com acessos de ira, agressão a mulheres, gays, lésbicas, LGBTS, negros, pobres e uma lista infinda de maldade, porque o contra-ataque dos donos do mundo só pode ser esse, o estimulo à violência. A entrada de luz também proporciona uma grande confusão mental porque o ego, sabendo que algo se passa, que algo está fora do seu controle, reage violentamente.

Quanto mais pessoas descobrirem quem realmente são, quanto mais pessoas meditarem, orarem, pedirem pela paz, mentalizarem a desintegração dos tubos de plasma, não focarem nos noticiários que propositalmente omitem informações do que se passa e privilegiam o que lhe convém, quanto mais evitarem ataques à diferença e optarem pelo diálogo, pela troca de informações, pelo debate e pela não violência, tanto mais se dará a entrada de luz.

O último relatório do Cobra dizia que uma conexão está em regressiva de 80%, sem retorno, ou seja, não mais se recomporá. Isso quer dizer que a vibração na Terra está aumentando, mesmo com os noticiários e as situações que são plantadas para promoverem o pânico.

Outro bom motivo para comemoração é o desmonte das bombas plasmáticas strangelets e toplets, estrategicamente instaladas em lugares específicos para evitar qualquer ação do Movimento de Resistência. Com o desmonte dessas bombas, sinal verde para a chegada dos irmãos galácticos. Não corremos mais riscos. Só falta o aumento de nossa vibração planetária, o despertar da consciência global. Isso elimina a luta política? Não, mas essa luta não consiste em considerar aqueles que divergem como inimigos. É preciso entender como o processo de acobertamento das informações foi planejado, montado; logo, os que divergem também se encontram na mesma posição que nós, ainda que em postos, lugares distintos. As divergências, disputas, lutas dentro de um partido político são um bom exemplo do que fazemos com o outro, às vezes dentro do mesmo campo ideológico, quiçá de outro campo.

“Dividir para conquistar” é um estandarte usado por líderes políticos desde a antiguidade - Sun Tzu (544 a.C. - 496 a.C.), Alexandre Magno (356 a.C. - 323 a.C.) e seu pai Filipe II (382 a.C. - 336 a.C.), Júlio César (100 a.C. - 44 a.C.) -, um princípio divisionista da matrix. Como é possível a construção de uma sociedade equânime, justa e fraterna se nem com nossos pares conseguimos estabelecer diálogos?

Cada um é livre para escolher suas ferramentas e metodologias de lutas, não existe julgamento nem condenação, muito menos uma atitude de falso moralismo em apontar quem está certo ou errado, mas é preciso o entendimento de que nem todos caminham da mesma forma e que, para além da condenação, baseada em análise superficial e precipitada, existem milhões de pessoas trabalhando, lutando pela libertação planetária silenciosamente, sem publicidade, sem uma pompa egoica, sem alarde nem reconhecimento, contribuindo muito mais que nós em um mundo que supomos entender, mas que estamos efetivamente muito longe de decifrá-lo.

Há coisas acontecendo nos bastidores neste exato momento; há uma guerra sendo travada, há pessoas sendo mortas, como Yves Chandelon, auditor-chefe da OTAN que investigava o financiamento de terrorismo. Veja aqui.

Enquanto isso, alimentamos os tubos de plasma ao atacarmos uns aos outros, ao nos comportarmos como se fôssemos donos da verdade, como se tudo soubéssemos, como se o outro não estivesse no seu processo de descoberta, como se tivéssemos todas as respostas. É necessária uma autorreflexão, uma autocritica, e claro, isso vale para mim, pois todo o texto é, antes de tudo, dirigida ao autor.
Existe uma saída para a humanidade, alguns a chamam de utopia, do grego U (“nenhum”), topos (“lugar”). A utopia é uma mera invenção ou a certeza do nosso inconsciente de que existe um lugar onde existe paz e não guerra, exatamente por tê-la visto, assim como Sócrates (descrito na obra Fédro, de Platão) disse que o verdadeiro poeta conhece a verdade, a beleza, porque já esteve diante dela, mas apenas não se lembra. Por que não se lembra? Quando esteve diante da verdade e beleza?

Sobre os bastidores da geopolítica mundial, veja o último relatório do jornalista autônomo, ex-diretor da Revista Forbes, Benjamin Fulford.