sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A vida é um minuto: homenagem a Oscar Niemeyer

“A vida é um minuto”

Por César Borralho

O triplo do meu tempo inda não daria a conta de 105 anos, tal idade ultrapassa o sonho de imortalidade de qualquer homem apaixonado pela vida. 

Dei de ligar a TV, e como me doeu a morte do Oscar Niemeyer! Um contemplado pela sorte que se foi de forma natural após cumprir sua generosa existência - diria meu pensamento, mas sinto ainda que é como se fosse precoce ou um ato cruel da própria vida com a dele. 

As palavras comoventes de Chico Buarque a ele derrearam as lágrimas que lutei em represar sem que nada mais pudesse fazer. Um homem rabiscando o papel como se fosse simples erguer da terra estranhas catedrais. Quando caminhei solitário por Niterói me demorei mais que o habitual naquela taça imensa de sorvete a qual chamam de disco voador, percebi a força do poeta do concreto. 

Suas palavras marcantes sobre a existência, o cigarro amparado pelos dedos a troçar com leveza de qualquer saúde, a sobrancelha séria e serena... Faz pena sua partida, faz pena! Fez do seu tempo um escritório e do escritório um lugar pra pensar a vida. Um homem que inventava o sonho, mas sabia consegui-lo para projetar autênticas quimeras a se forjar ininterrupto. Ele enganou a todos que morreu, entrou naquele disco voador e partiu! 


"Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito".

César Borralho________________



4 comentários:

  1. Cesar, seja la quem Cesar for, acabei de ver na abertura do Fantástico o final do teu texto, assim como pode ser!!! Tua poesia é prodigiosa e tua grafia é super bela e leve. Gostaria muito de conhecer mais tua literatura.

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    1. Prezada (0), concordo plenamente contigo, meu irmão é de fato um grande poeta. Tal texto não era para ser publicado, ele havia enviado como post no meu artigo: 0 4 elemento da genialidade brasileira, resolvi apagar o post e publicar como crônica. Tenho muito orgulho dele, é minha inspiração poética.

      ele tem um conjunto de poesia, embora nunca publicadas.

      espero um dia atingir a capacidade poética dele, acho que nunca terei

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    2. Anônimo é um pseudônimo que se esconde, mas pode ver. Agradeço por não ocultar pelo menos sua voz e por perceber a referência que se não fosse você eu não veria. Eu também gostaria de conhecer mais minha literatura e quem sabe no ano seguinte eu me reserve a esta arquitetura alfabética espalhada nos anos que ficaram para trás. Não sou grande e sequer poeta de fato, tenho um ou outro retrato de palavras por aí que não valem sequer um álbum. Obrigado Henrique e te perdôo o exagero, minha capacidade está mais para a imaginação que para a ação de quem escreve, o fôlego de minhas tentativas ainda não desenham asas.

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    3. Olá,
      Nossa, Cesar, tua humildade é show de bola, lembrou o coração de Niemeyer e olha que meu pai sempre falava na modéstia dele. Foi mal pelo anonimato, o mais importante as vezes é o que a gente tem a dizer e consegue dizer né, meu pseudônimo preferido é Débora e já te vi em dois festivais com aquela expressão rara de “triunfo”, rsrsrs. Sério, com todo respeito que tenho pela arte eu te admiro D+ e sinto que um dia você vai rematar com o talento que tem teus projetos subterraneos. No lançamento do teu livro eu vou rir de felicidade e pensar baixinho: - o cara conseguiu, é fera! Você fará o que sabe fazer melhor {intuição minha...}, que muita gente nesta cidade acha que faz bem ao longo de vários e vários anos, mas fazem não. A gente se vê no futuro próximo eu torço por você em sua arte! Precisa responder não viu. Brigadaço.

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