sábado, 20 de outubro de 2012

Alaridos nº 2

 Estampidos altíssonos irrompem sob a tenda,
a pesada atmosfera abafada rebate o calor que transpira
de todas as pernas,

ancas vestidas escorrem o suadouro vertiginoso pingando na passarela,
dos transeuntes que rugem e gritam por onde passam,

as descobertas de quem procura os mistérios,
que depois de revelados deixam de ser milagre e viram ciência,

a aglomeração aumenta a agonia da falta de ar
dos que disputam espaço em busca das invenções que estavam encobertas,

os alardes são como estampidos a retintar os passos dos que andam sem pressa
da falta de espaço,

o observador atento registra o pra cá e pra lá em busca da ciência,

nem o calor nauseante impede a busca constante por uma chance lanciante
que retira o não saber de sua condição ignorante,
jogando os passantes para a situação dos descobridores,

talvez de si, de ninguém,
do tudo, do nada, da ampulheta, da pepeta,
da parafuseta, da cabeça de quem inventou tudo o que está sob esta tenda,
provocando os estampidos altíssonos ensurdecedores...

aqui também Ele ainda não se reconhece
totalmente








Nenhum comentário:

Postar um comentário