terça-feira, 9 de outubro de 2012

O tempo dos velhos armazéns

 Não existem mais armazéns como antigamente. Os supermercados e seus conglomerados nacionais e internacionais dominam o cenário econômico dos mercados atacadistas e varejistas. Os supermercados e suas gôndolas cheios de novidades, tudo muito clean, organizado, rápido e impessoal. Contato com alguém somente na hora do caixa, para pagar.

Antes não, eram de domínio dos armazéns, quitandas. Quitanda em Portugal quer dizer uma coisa, no Brasil quer dizer pequeno comércio. Às vezes, as quitandas ficavam ao lado dos armazéns. 

Quem não se lembra dos grandes caminhões chegando de várias partes do Brasil abarrotados de mercadorias? Os homens com seus dorsos delgados, às vezes na cabeça carregavam quase o dobro de seu peso. Eram sacos de toda ordem: açúcar, café, farinha, etc. 

Depois que as sacas de cafés eram descarregadas, meia saca era colocada sob o balcão junto com a máquina de torrar e morrer, pronto para ser servido. As pessoas compravam uma quarta, meio quilo, tudo feito sob um medidor de alumínio, boca alargada, “pontiagudo-arrendondado” e uma alça por onde o dono do armazém segurava o produto, muitas das vezes com um lápis preso na orelha e um bloco de anotações de tudo que chegava e saía. 

O café torrado no balcão exalava o ambiente. Cheiro de café: aroma de café, que só o café tem. 

E o fumo de corda pendurado logo atrás do balcão? Seu cheiro ainda era mais forte. Os mais velhos sempre compravam fumo de corda. 

A variedade imagética de um armazém era inconfundível. Tinha sempre alho poró exposto, farinha d’água, corda de sisal, corda de nylon, barbante, cachaça, sabão em barra, uma balança antiga e tudo era embalado num bom e velho papel grosso, meio pardo, cujas dobras somente os vendedores sabiam fazer. Hoje não, tudo é jogado em sacolas de plásticos que levam 1 milhão e meio de anos para se decompor, além de poluir o meio-ambiente.

Os vendedores conheciam seus clientes, chamavam-nos pelos nomes. Entre um comprinha e outra colocavam-se os assuntos em dia e uma cachacinha para abrir o apetite. 

Os motoristas que dirigiam os caminhões por sua vez país afora também contavam suas histórias. A chegada para descarregar as mercadorias era tempo de descanso e também de lazer, de se divertirem. 

Mas esse tempo não volta mais. Hoje, basta pegar um carrinho de supermercado, fazer a seleção do que se quer, pagar no caixa, pegar sacolas plásticas e repetir esse hábito toda semana sem se quer sabermos o nome do caixa que nos atende.



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