sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A questão dos simbolos


Os gregos antigos iniciaram os estudos sobre a questão dos símbolos e dos signos através da semiótica. Do grego Semeion = trazer à frente, evocar. A relação entre o cérebro, como pensa, evoca e representa o pensamento é bastante inquietante e perturbador. Depois vieram os estudos de Spencer, Montaigne, Kant, Charles Peirce, Elisabeth Walther-Bense, Roland Barthes, Greimas e Saussure. Os estudos hoje são bastante avançados. 


A questão é que os símbolos estão entre nós desde que deixamos de ser hominídeos e passamos a ser humanos, cognição do aparecimento do pensamento ascético, da arte e do registro histórico. Desde então os símbolos estão conosco e nos acompanham. 


Somos extremamente ritualísticos e simbólicos. Todos os nossos atos podem vir a ser ou são atos simbólicos. As religiões são usuárias versadas nos símbolos. Muitas das vezes os símbolos religiosos se confundem com o próprio ato de crer em si, ou se colocam no lugar da crença.


Carregamos e portamos símbolos em várias situações, tatuagens por exemplo, são uma demonstração disso, embora muita gente se tatue sem se dar conta do que está sendo representado, tal como muita gente fala também sem saber o que está falando. 


A sociedade contemporânea ou ultramoderna é extremamente simbólica, embora os símbolos atuais sejam outros. Claro, mudam as relações sociais, mudam também os símbolos. Portar um iphone, por exemplo, pode representar prestígio social e ser alcunhado de atual. 


Os corpos também constituem uma relação simbólica; basta olharmos como nos relacionamos com o corpo ao longo da história e como a silhueta é uma representação de como enxergamos a beleza e a relação com o mundo do trabalho.


As mulheres até o século XVIII não estavam nas fábricas, logo, não usavam macacão e o símbolo de beleza era o corpo nada esguio. Com a inserção no mundo fabril o corpo se define, a concepção estética também se altera. Hoje, muitas mulheres são mais delgadas que muitos homens.


Os defensores do transumanismo advogam que o corpo humano modificará radicalmente daqui a duzentos anos, portanto, o corpo tal como conhecemos hoje será um símbolo do atraso e do passado. O novo será um símbolo de como a humanidade se transmutou. Como diria Hannah Arendt: deixamos de ser criaturas para sermos criadores. 


A sociedade pode estar mudando radicalmente, mas enquanto nos comunicarmos e precisarmos de códigos para tal, seremos durante um bom tempo altamente simbólicos.            

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