terça-feira, 18 de setembro de 2012

Nós não estamos no controle

Quando eu era mais jovem costumava pegar uma mochila, ir até a entrada da cidade e pegar o primeiro ônibus que passasse para comemorar o meu aniversário. 

Quando a gente vai ficando um pouco mais velho as obrigações, os compromissos, causam uma sensação de que estamos no controle de nossas vidas. Ledo engano. 

Concordo com Sartre e Simone de Beauvoir: a vida é de extrema responsabilidade nossa e somos os únicos responsáveis pelas nossas escolhas e consequências das decisões que tomamos. Também sou existencialista, mas uma coisa é arcar com nossas responsabilidades, outra, é achar que temos a previsibilidade da vida, sabendo exatamente tudo o que vais nos acontecer. Não sabemos o que vai nos acontecer no futuro.

Ter o controle da vida também implica que o "acaso" e a imprevisibilidade estão impedidos de nos mostrar o que seria melhor para nós.

Foi o mundo ocidental, alicerçado no empiricismo sensitista, que nos educou a confiar mais na dedução que na intuição, a controlar a vida pela lógica racionalista, a confiar no trabalho burguês como principio de felicidade, e as derivações disso causam consequências danosas quando percebemos que a "vida" não segue o rumo tal como planejado.

Quando essas coisas acontecem, quando as respostas que se quer não aparecem, é momento de parar, refletir, soltar as rédeas, deixar ir, deixar a vida mostrar o que seria melhor para nós, nem sempre o que desejamos é necessariamente o melhor para nós. 

Acontece que o exercício de deixar a vida nos levar é um muito difícil para a sociedade contemporânea; não temos paciência, mansidão, não temos sabedoria e queremos controlar tudo, absolutamente tudo.  

Quando as coisas que queremos não acontecem é momento de ficarmos atentos e abdicarmos de algo que nós é caro. Temos que reconhecer que somos os responsáveis por nossas escolhas, porém, é necessário admitir que nem sempre sabemos o que é melhor para gente. 

Como diria Sérgio Brito, cantor dos titãs, na música "epitáfio":  "o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído".

Definitivamente não estamos no controle de tudo.         
                

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