segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Para viver é preciso sorrir

Sorrir é antes de mais nada uma atitude de desprendimento. É alegrar-se na dor quando a dor é recalcitrante. Gozar da vida quando ela nos passa a perna, chorar de rir quando o jeito é apenas sorrir, rir de si mesmo, pois a vida é uma comédia.

Os gregos encaravam tragédia e comédia como faces das duas moedas. A comédia era o primeiro ato da segunda, a tragédia. No sorrir há um extravasar, há também um libertar, também um pesar, dependendo do que se ri. Rir é bom, mas rir de tudo é desespero, disse Frejat. 

Rir e chorar também são formas de expressão de ausência/presença. Uma criança pode chorar sorrindo, chorar e depois sorri, sorri e depois chorar, talvez pelo mesmo motivo. Geralmente os adultos primeiro riem, e depois choram, ou o contrário, quase nunca as duas coisas juntas.

Eu admiro as hienas. Elas riem sempre, sem parar. Admiro também os macacos, os mais engraçados. São zombeteiros. Também gosto dos palhaços, embora eu sinta uma tristeza por detrás de tanta alegria.

O que seria a vida sem os palhaços? Eles fazem de tudo para alegrarem todo mundo, mas, quem se importa como eles ficam por trás do picadeiro? Como é a vida de um palhaço fora do circo? Eu gostaria de entender os palhaços como o escritor Mário Fernando Bolognesi, autor da obra Palhaços.

O ato de sorrir é um ato de começar algo. No fundo é um par do choro, mas ninguém aguenta chorar o tempo inteiro, tal como sorrir também. Então, a gente só sabe o prazer de sorrir porque já choramos.

Vamos sorrir, mesmo quando supostamente não há motivos. Acontece que sempre há motivos para se rir;  uma piada sem graça; aquela porta que a gente sempre esquece que fechou; quando tua filha mais velha diz: "_papai, tua geladeira só tem água"; ou quando a mais nova petarda quando acaba de derramar chocolate na cama, abrindo os braços pequenos, erguendo-os para o alto com as palmas para cima": _ papai, caiu!;  quando o trânsito engarrafa e todo mundo começa a buzinar mesmo sabendo que não tem jeito; quando se esquece de pagar o condomínio; quando não se sabe onde esqueceu a carteira; quando a aula não foi boa; quando o poema e a crônica não saem; ao sair do cinema depois daquele filme que te deixou frouxo de rir, depois de uma boa leitura, enfim.....

E que o nosso sorriso não seja como na música Smile de Charles Chaplin.

Não, que os nossos sorrisos sejam a expressão da felicidade de nossas almas. Sejamos felizes, vamos sorrir.                 

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