quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O debate público em São Luis

São Luis é uma cidade que carece de mais debate público. A ausência de participação de intelectuais na imprensa, de sindicalistas, de movimentos sociais organizados, da participação em audiências públicas, da cobertura e divulgação acerca do que movimentos como o hip hop fazem, por exemplo, do que as associações de bairros promovem, são uma clara demonstração da tibieza do que seja o espaço público em São Luis.

Todos os dias existem manifestações e reivindicações sociais, a organização da cultura popular, mas a fragmentação da informação constitui-se um grave problema. A sociedade efetivamente não sabe o que as Universidades discutem, por exemplo. 

Vejamos o caso dos 400 anos de São Luis. As Universidades fizeram uma pauta crítica sobre as comemorações, pergunto: houve cobertura da imprensa? A organização da festa sequer teve a coragem de propor mesas questionadoras sobre os problemas da cidade. A cidade tem gravíssimos problemas.

Outra questão: a pobreza do debate eleitoral. Enquanto o Rio de Janeiro apresenta a candidatura de Marcelo Freixo, alternativa séria, crítica em relação a candidatura de Eduardo Paes, quando olho quem lidera as pesquisas eleitorais em São Luis percebo o grau de nossa pobreza, do quanto fomos incapazes de construir uma alternativa de poder. São Luis é uma cidade efetivamente carente de tudo. 

Poucas são as iniciativas da imprensa discutindo os problemas da cidade. E quando falo de imprensa refiro-me aos três segmentos: televisionada, escrita e radiodifusão. 

Outra questão é a ausência de um mercado editorial e incentivo à publicação. Publicar no Maranhão é muito difícil, na verdade mais difícil do que no século XIX, parece piada. 

O que nos resta? Criarmos os espaços públicos de debate. Temos que nos organizar nas nossas ruas, nos nossos bairros, em associações de bairros, ong's, partidos políticos, sindicatos, igrejas, no trabalho, nas escolas, universidades e convocarmos a imprensa para cobrir tais manifestações. 

Além disso, vamos usar as redes sociais, como facebook, twitter, orkut, etc, para promoção da criticidade também. 

A cidade é uma construção coletiva, depende da ação efetiva de todos, caso contrário, vamos chorar mais 400 anos pelo leite derramado.                     

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