domingo, 26 de agosto de 2012

Lembranças de Pindaré-Mirim

Para minha irmã Margarete

Havia 30 anos que eu não pisava ali. Exatos 30 anos. Uma vida. Muita coisa mudou. Na travessia entre as cidades de Santa Inês e Pindaré-Mirim, busquei na memória as imagens guardadas de uma criança de 7 anos.

Pouca coisa sobrou da mata que separava as duas cidades. Casas e comércios existem agora no que antes era apenas a relva verde.

Sentado sempre na parte da frente do Expresso Florêncio, inconfundível pelo colorido de sua lataria, buscava os primeiros traços da cidade onde eu sempre passava as férias na casa de minha irmã Margarete.

Na entrada da cidade ainda existe o campo de futebol, hoje, com o muro de proteção mais alto. Meu Deus!!!! Como as crianças, a gurizada faz hoje para ver os jogos? Tem que pagar?

Calmamente eu tentei recobrar os lugares-memórias, mas tudo mudou, tudo muda, quiçá 30 anos depois. Avistei algo difícil de apagar: o majestoso e velho engenho, guarnecendo o rio que batiza a cidade. Não é mais suntuoso como antigamente.

O Rio Pindaré me pareceu dessa vez mais raso, mais estreito e não tão assustador como antes. No rio acontecia o programa da família predileto: pescar. Eu, o menos hábil e adestrado na matéria, quase nunca pescava nada. Meu pai sempre se ria quando me perguntava quantos eu já havia fisgado. A resposta era sempre a mesma: – Zero peixe!!!! Gargalhadas.  

A outra margem já está completamente ocupada. Aluguei um barco e na companhia das minhas filhas Lucía, Milene e da babá Luciana, descemos rio abaixo. Lucía, a mais velha, me perguntou se era nesse rio que eu brincava quando criança. Alegremente respondi que sim. Foi uma festa quando elas viram crianças nadando na parte funda, patos, galinhas, porcos dentro d’água e não podia deixar de faltar pessoas pescando com caniço, tal como fazíamos 30 anos atrás.
  
Preparei-me para o grande encontro: a casa onde minha irmã morava. Hoje é uma “quitanda” (comércio), já bastante modificada. Nesta rua sem saída havia uma praça em frente à casa. Do outro lado, havia uma espécie de pequena fazenda com animais, muitas árvores e um pé de limãozinho que, Ribamar, amigo de infância, sempre pegava para mim.


No final da rua, uma igrejinha. Ainda está lá, mas completamente modificada. Lembrei-me das brincadeiras noturnas, o primeiro beijo, o teatro infantil, o futebol, e claro, o rio, sempre ele, espaço de fascinação-adoração-desejo e muito medo. Eu o amava e o temia ao mesmo tempo. Eu sempre o contemplava no sentido oposto da casa de minha irmã no fim da rua, ladeira abaixo. Não resisti e fiz o mesmo percurso. Ele estava muito raso. Já não sentia o seu vigor como antes. Ele mudou, e eu também.

Um comentário:

  1. E nos meus pouco mais de três anos transitando por essas bandas já vi muita coisa mudando, e já mudei muito minhas formas de ver... em trinta, então!!! Mas Pindaré ainda se mantém um charme!

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