quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Vertigo

Ele saiu da boite nauseabundo. Tropegamente, procurava seu carro no estacionamento. Para dar a partida levou muito tempo. Ao dirigir, as luzes da cidade faiscavam na sua retina serpenteando com um laser o foco esticando-se numa trajetória disforme sem fim. As buzinas, o semáforo, tudo o aturdia, nada o apascentava. Com muita sorte conseguiu chegar a casa. Deitado em sua cama, não reconhecia a alcova de toda noite. Tudo rodava. Uma sensação de ânsia tomava seu corpo. Vozes, imagens, sensações perturbavam sua alma. Tudo era estranho. Uma forte dor no peito, uma falta de ar, um querer que seu estomago lhe saísse pela boca na espreita de que aquela sensação horrível parasse. Levantou-se cambaio da cama e foi até o banheiro. Olhou fixamente no espelho. Não reconhecia seu próprio rosto. De tanto fixar o olhar em si diante do espelho, apareceu-lhe outra face de si mesmo, ainda que não houvesse mais ninguém ali. Queria ser um balinês que costuma cerrar os dentes arrancando-lhe os demônios. Então como um Maori bateu fortemente no peito deixando vermelha a pele de tanta força, arregalou a língua, exclamando depois: – Sou eu, sou eu, sou eu!!!!!  




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