segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Duas bailarinas

São duas bailarinas rodopiando no ar,
duas pombas-rolas girando sem parar,
seus pés são frágeis,
não suportam o peso dos pliers

Seus braços desenham movimentos graciosos
imitando o voar de uma borboleta,
são traços indefinidos,
são grafias pueris

Seus passos são trôpegos,
sem coordenação,
sincronização, não tem não!
não importa!

Quando dançam
os olhos brilham como se estivessem num palco
de um teatro municipal,
embora o único espectador seja seleto, cativo e fiel

Seus corpos são leves,
plumas,
jeitos de mulheres
dorsos de meninas,
que mesmo sem falar direito,
ainda brincando de boneca,
encenam o gracejo da vida na dança
porque para dançar,
não é preciso ser gente grande
basta ter música, inspiração
e um espectador
cativo, seleto e fiel
assistindo, como se as duas bailarinas
fossem as únicas a dançarem neste mundo.




   

2 comentários:

  1. Adoro esse poema... Já li quatro vezes, e em todas me vem a impressão de que sua inspiração fora suas filhas, aquelas duas lindas bailarininhas... Estou certa Henrique?

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