quarta-feira, 25 de julho de 2012

O prazer de escrever



Com um caderno de anotações de uma estampa linda, grafos de Bukowski, rabiscos a mão colorida que ganhei de minha amiga Patricia Luzio, exatamente para essa atividade, rabiscar o que vier à mente, escrevo.

Estou sentando na rodoviária do Tietê em Sampa, esperando meu ônibus para o Rio de Janeiro. Caneta à mão, seguro meu lindo bloco de anotações após ler alguns capítulos do maravilhoso livro "Escrevendo com a alma: liberte o escritor que há em você", um best seller de Natalie Goldberg.

Não à-toa virou um best seller. Ela afirma que escrever é como meditar, e de cara concordo com sua percepção sobre a escrita: escrevemos para dar vida àquilo que mais nos aturde. 

O relógio avança nas horas. A moça do serviço de autofalante com sua voz melodiosa por vezes me atrapalha, é a primeira vez que escrevo nestas circunstâncias. 

Estou seguindo o receituário de Goldberg: escreva. Deixe seus dedos correrem sobre o papel, sem censura, sem medo, sem receio. Solte a imaginação. 

A voz da moça do autofalante de novo! Ao menos não me deixa perder o ônibus, pois estou entretido na escrita, interrompendo inclusive o próprio manual de como escrever.

Talvez o sentido desta crônica seja dizer aos meus leitores deste blog que me sinto igual a você: cheio de vontades, de desejo de escrever compulsivamente, mesmo sem saber, com minhas inseguranças e incertezas. 

É talvez um sentimento de autoidentificação. Ao falar de mim, possivelmente falo de algo que está em vocês. O desejo não é apenas meu, caso contrário, vocês não teriam chegado até esta linha. Então, incentivemo-nos. 

Entretanto, com a palavra, uma ajuda da Goldberg sobre quem quer escrever. 

a) Mantenha a mão em movimento;
b) Não rasure;
c) Não se prenda a ortografia, gramática;
d) Solte o controle;
e) Não pense. Não tente ser lógico;
f) Pegue na veia. 

A primeira vez que fiz essa viagem de travessia entre Sampa e Rio de Janeiro foi em 1995. À época, um estudante de graduação em História, cheio de sonhos. Hoje, não sou mais um estudante de graduação, mas continuo em busca dos meus sonhos. Sou um eterno mutante. E sonhando.

Meu ônibus chegou. Comecem a viagem de vocês.  


3 comentários:

  1. Era o que eu estava precisando ler...
    Gosto muito de escrever, há momentos que do nada vem aquela vontade, pego meu celular, abro o bloco de notas e começo a digitar tudo que vem a fluir...
    As vezes acordo no meio da noite, fico voando, pensando em coisas com ou sem nexo que acabo por transcrever...
    Não sei usar as palavras perfeitamente, mas escrevo...
    Para mim escrever não é contar perfeições gramaticais, mas a perfeição do refletir...
    O importante é que você sinta e que tal sentimento ao ser exposto (se assim quiser) também possa ser sentido pelos possíveis leitores!

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    1. é isso flavinha. se quiser, posso te emprestar o livro da natalie goldberg que dá dicas ótimas sobre como escrever. continue, continue. abraços

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  2. A eu queroooo... Vou cobrar assim que voltarem as aulas :D
    Obrigada querido!

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