segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A decisão

Um pequeno braço de mar e mais uma faixa de areia separa a barraca onde um dos irmãos estava e uma de suas irmãs, a petiz de traços afoitos. Ao longe já se ia outro irmão, o mais velho com a irmã ainda mais nova do que a petiz de traços afoitos.

Decidida a ficar na pocinha d’água com outras crianças que mal acabara de conhecer, a petiz afoita momentos depois, arrependendo-se da decisão de não ter ido banhar no mar com o irmão mais velho e a irmã ainda mais nova, deixa de lado as outras crianças e decide se juntar aos seus, que caminhavam já longe. Era longa a distância. Uma faixa de terra ainda mais larga a separava do mar, do irmão mais velho e da irmã ainda mais nova. 

Como iria sozinha alcançar os passos de um irmão já adulto que segurava sua irmã caçula nos braços? Da barraca o outro irmão assiste a toda a cena. Pergunta-se se ela teria tal coragem, até onde iria sua intrepidez. Fica atento.

Começam seus passos. Ela está decidida, nada pode demovê-la da decisão. Ela para. Olha procurando os traços do irmão e da irmã, já não identifica a silhueta dos corpos, estão longe demais. Decide prosseguir de novo, para de novo. Volta a caminhar. Para de novo. Olha para a pocinha onde estão as crianças, fica em dúvida sobre a melhor opção: seguir até ao mar ou brincar com as crianças? Se prosseguir mais o percurso entre o mar e a pocinha será equidistante. O sol está forte. Da barraca, o irmão observa atentamente o desfecho da petiz. Ela para, não anda nem para a frente, nem para trás, apenas fica inerte em dúvida sobre qual decisão tomar. Demora-se um pouco, procura o irmão e a irmãzinha. 

Decide voltar para a pocinha.

Da barraca, o outro irmão ri sozinho. Ele queria saber até onde sua irmã iria? Ele sabia que ela declinaria da ideia de ir até o mar...

Ninguém na verdade sabe por que ela de fato não foi..       

        


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