terça-feira, 28 de agosto de 2012

A beleza salvará o mundo

Todorov, no livro de crítica A beleza salvará o mundo, analisando as obras de Wilde, Rilke e Tsvetaeva, mostra-nos por que a arte é imprescindível. 

Nascida como aspiração ascética, encapsulada pela religião, que ocupou o espaço e ainda ocupa de sublimação, a arte foi ganhando ares específicos de um tipo de manifestação pungente da condição humana: a vontade de existir e de expressão das variantes da percepção da existência. 

A obra e sua forma narrativa de contar a história transporta para o universo de Wilde, Rilke e Tsvetaeva, identificando os sentidos que os levaram a manifestação da vida, sem olvidar, é claro, das contrariedades e contradições do existir. Nisso reside a beleza da vida e para isso existe a arte; o artista consegue desdobrar a dor da vida como poucas pessoas, ele a transforma em arte. 

Por que a beleza salvará o mundo? Porque a magia da vida se esconde na adversidade, na dor, na exceção, na falta, na tristeza, na ausência, exatamente para mostrar que a vontade de transformar a dor em tristeza é a chave da descoberta do não revelado. “Para passar pelo Cabo Bojador, é preciso passar além da dor”, já disse Pessoa. 

A literatura possui essa imensa capacidade de traduzir em palavras o lugar comum de nossa existência, portanto, ao falar do que é compungido para eles, Wilde, Rilke e Tsvetaeva falam daquilo que é nosso, a arena e o palco onde a vida sem arte precisa ser transfigurada na arte da vida e da vida que existe na arte e, também, da vida da arte. Sim. Quantas pessoas já se debruçaram sobre a trajetória da arte e correlacionaram com o movimento histórico da busca do homem pela felicidade? Portanto, arte e vida se misturam, e aqui eu tomo a literatura como expressão da arte, aliás, como arte em si mesmo. 

Por que a beleza salvará o mundo? Porque não inventamos a arte para suportar o peso da vida; foi a arte que nos convidou para adentrarmos nas suas sendas e mostrar que, apesar de tudo, existe beleza. 

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