sábado, 8 de setembro de 2012

A primeira roda gigante ninguém esquece

Eu achei legal porque dá pra ver tudo lá de cima, dá para ver nossas casas, e quando eu estou nela eu me divirto muito. Dá para ver todos os brinquedos lá de cima, de cima do mundo.

Essas são as palavras de minha filha Lucía na nossa primeira experiência numa roda gigante: eu, ela e minha filha caçula Milene, sentada no meu colo como um bicho-preguiça, sem me soltar para nada, no parque de exposições agro-pecuária, Expoema, hoje à tarde. 

Engraçado porque o relato de minha filha de apenas 4½  anos se parece muito com minha primeira experiência numa roda gigante. 

Eu sempre esperava o mês de junho no bairro da Cohab, onde nasci e cresci, para as chegadas dos parques de diversões. Eram pobres, hoje eu o sei; brinquedos obsoletos, enferrujados, pouco atrativos, baratos, mas eu os adorava. 

Ficava fascinado com o carro de bate-bate, embora nunca tivesse dinheiro para ele, era o mais caro. Na espingarda de ar-comprimido, eu nunca acertava o patinho, muito menos a caixa de fósforo. 

Os parques sempre ocupavam as praças do I e II Conjunto, quando não do C.S.U. (Centro Social Urbano). Foi num parque instalado no C.S.U. que a avistei pela primeira vez. Era grande, gigantesca, assustadora. Jamais entraria nela sozinho, tinha medo. Foi difícil, meus amigos me convencerem a subir nela. 

Como rito de passagem de um menino para um garotinho, eu não poderia refutar ao desafio de subir e ser chamado de covarde, “frouxo”. 

Lembro-me dos primeiros passos até chegar à cadeirinha. Certifiquei-me de que a barra de ferro não iria soltar. Olhei ferros corroídos de ferrugem, tarde demais, não dava mais para refugar. 

Cadeira presa, começa a subida. Friozinho na barriga, frison, medo e estupefação.

Vi as luzes do meu bairro, dava para ver as nossas casas, e quando eu estava nela me divertia muito. Deu para ver todos os brinquedos lá de cima, de cima do mundo. 



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