quarta-feira, 12 de junho de 2013

O inicio do fim do enamoramento com a Presidente Dilma Rousseff

Hoje é dia dos namorados, mas os noticiários dão conta não de um enamoramento, encantamento do pais, mas de um fim de uma paixão, de uma euforia pelo crescimento econômico que começa a dar sinais de esgotamento.

A falta de estrutura econômica possibilitadora de um crescimento constante, não alavancado pela falência do PAC (apenas 5% das obras estão concluídas), os portos, aeroportos, estradas, hidrovias no pais por onde poderiam escoar a produção não operam em total capacidade, o declínio da economia mundial, o problema da inflação de demanda operada pela alto consumo interno, a alta tributação, a não-reforma fiscal, a falta de habilidade da presidente Dilma em não negociar com a base aliada, o desgaste do ex-presidente Lula aparecendo em noticiários de escândalos de corrupção, o hiper inchaço do setor público, o crescente aumento da dívida interna, entre outros elementos, já sinalizam o declínio da presidente Dilma.

Segundo pesquisa de opinião pública realizada semana passada, ela ainda venceria, mas a margem de  larga vantagem caiu. O pior, ela teme Eduardo Campos, atual governador de Pernambuco que aparece com pífios 6% de intenções de votos. Por que? Primeiro pela ascensão do governador, segundo pelo seu carisma, coisa que ela não tem, terceiro por saber que, se não houver melhoras e recuperação do crescimento econômico no Brasil, o quadro para as próximas eleições presidenciais pode não ser favorável. 

É nítido no Brasil o fim da euforia. A preocupação com a volta da inflação ocupa o imaginário coletivo. O governo brasileiro lança pacotes atrás de pacotes com vistas à estimulação do consumo (redução do IPI, acesso a crédito imobiliário, pacote para o setor industrial para compra de bens duráveis, etc). Nem mesmo o clima da Copa das Confederações e as obras da Copa do Mundo empolgam. O pior é que parte desse desânimo diz respeito a retração econômica mundial. O governo poderia ser mais ousado, mas é conservador e precavido.

Pululam greves por todo o país, protestos contra aumento de passagens, os índices de violência voltaram a crescer. Possivelmente o governo irá fazer de tudo para a situação não entrar numa débaclè, sustentar o cenário, ainda não caótico, até as eleições.

O aparato e a estrutura de poder por parte do PT foi montado visando as eleições estaduais. Seu antigo projeto revolucionário definitivamente está sepultado, transformou-se num partido eleitoreiro, sem base social, sem perspectiva de mudança social, um partido a procura de cargos eletivos como outro qualquer. Aliás, pior do que muitos partidos que sempre criticou recorrendo a práticas como corrupção, esquema de tráfico de influencias, amorfo e sem identidade.

O PT não mudou a forma de fazer politica no pais, brecou a onda privatista do PSDB, priorizou a ampliação das Universidades Federais, dentre outras coisas, mas em suma não alterou consubstancialmente a perspectiva de mudança social. E esse é o limite da reeleição de Dilma Rousseff. Ela não vai apresentar grandes novidades para as próximas eleições, o pior, a novidade serão seus adversários.

Em parte a falta de mudança social no Brasil não operada pelo PT diz respeito as estruturas de poder densamente alicerçadas e a imensa necessidade de ter que fazer alianças com vários setores, inclusive outrora inimigos, conservadores. Ou seja, para se perpetuar no poder e talvez realizar pequenas mudanças, teve que negociar exatamente com setores que sempre impediram a revolução social e o avanço do debate politico no país.

Qual coelho Dilma tirará da cartola para vencer Eduardo Campos e/ou Aécio Neves? Lula, o bolsa família?

O triste de tudo isso é ter que ouvir sempre que esse é o jogo da politica democrática, que é necessário conceder e negociar sempre com setores eternos mandantes no país. Sabemos ser assim, o problema é o desânimo populacional computando à falência do homem publico e o descrédito exatamente na politica, sobretudo partidária.

O pais avançou nesses anos de mandato do PT? Sim, bem menos do que desejávamos, e muito menos do que o ex-partido revolucionário, pelo menos discursivamente, sempre prometeu.  

                             

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