quinta-feira, 13 de junho de 2013

No meio do caminho

Era assim como um longa estrada até o destino final. As faixas amarelas intermitentes indicavam a impossibilidade de ultrapassagem letargiando ainda mais a chegada ao ponto de encontro. Já não sabia o que era crepúsculo ou fim da pista, lá ao longe, se confundindo com a penumbra da noite que caía. Luzes ofuscando, buzinas estridentes, o pé em baixo e o coração em cima. A paisagem era uma companhia, mudando à medida que avançava, alterando também a percepção sobre a distância.

O pensamento girando a mil como as rotações do motor. A indicação dos giros no painel bem que poderiam ser a marcação do pensamento. Era tudo um ia e vinha, o lá e o cá, um querer chegar e o curtir da saudade. A distância era o termômetro da espera. As placas das cidades mas confundiam o desejo de estar perto quando a percepção sobre o espaço indicava ainda um longe. 

A vontade de saber onde estava, em sentido contrário, rumo ao mesmo destino, era como um empuxo, uma força motriz alavancando o carro como um cavalo a mais de sua potência. Era só vontade, era só frenesi. Era só distância, que não acabava, diminuía.

Quando, enfim, ao destino encontrou lá estava também o vazio. O olhar para pista à procura de quem deveria vir no sentido oposto, mas não chegara. As chaves na mão, a cama branca, límpida, como um tapete estirado sem uma rusga do peso de um corpo. A espera.... lenta e angustiante. 

A noite escondia os perigos da escuridão, das luzes e buzinas estridentes, dos perigos de um descuido qualquer a tirar da pista quem já deveria ter chegado ao seu destino final. Um telefonema. A marcação exata da distância, um pouco menos pesaroso para quem na cama branca deixara as marcas de rusgas no lençol mudando a configuração de um tapete liso. 

A chegada enfim. O alívio. Uma noite incomum. Corpos pesados, acelerados, frenéticos e rítmicos da velocidade do desejo, do tempo da saudade, do espaço da distância. Descanso. Sono. 

A luz do dia pela fresta da janela, indicação da separação dos corpos. 

A mesma estrada, agora em sentido contrário. Diferente também tomam as direções. Os que antes seguiam para o mesmo destino agora se afastam, na mesma intensidade e velocidade dos giros dos motores. O painel indica as rotações por minuto, que bem que poderiam ser a da intensidade da mudança de pensamento sobre o que acontecera na noite anterior. 

Cada vez mais distantes, mais longe, só que agora sem buzina estridente, sem faróis incandescente, com as mesmas faixas intermitentes, a mesma paisagem, só que na bagagem, a lembrança e de novo a saudade.       

   


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