sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Vamos filho..... a carona não vem



Por Luis Fernando Pinheiro



Lembro-me daquele dia que fechei a porta enquanto dormia

Tranquei-me em um sono sinistro

Abdiquei tudo para seguir nessa viagem

Não tinha filho, nem cavalo.

Bebida, reis ou virgens.



Eu acordei a noite umas 3

Eu disse não, não me conforto com a visão do paraíso.

Recebo o convite do homem e do seu cavalo

Montado pelo arco e pela coroa

Tudo parecia correto



Lembro-me daquele dia que o selo se escondia

Branqueei como um anjo pálido sem risco

Era o meu pai que avisa que a carona já chegou

Vamos filho... Venha agora

Tudo parecia tão correto



Mas foi ai que eu disse:

Não sou eu quem quer a hora que me aproxima

Não gritarei para multidões

Seria mentira mentir para a verdade

Mas o que pudera eu, não sou um homem forte.

Não escutei as trombetas ou grandes vozes



As trombetas gemiam, as águias voavam e o sinal de ás destacava.

Mais cem anos, por mais seis séculos.

A paz descartava um royal



24 grandes homens subiram ao monte e não voltaram

Lembro bem,lágrimas no chão amarelo derramava como tudo de mal

Homens voltam a ser fetos

Fetos voltam quando o homem estivera por perto



Lobos e uivos conquistam as sombras e esquinas molhadas

Cães e pégasus costuram o céu

E o meu pai dizia

Vamos filho, venha agora... A carona não vem



Ouço gritos atrás da porta

Minha mãe, meu pai esquartejam-na.

Acordo atrás da porta tremendo

Sentir o cheio de movimento

Traguei o espaço dos sentidos

Metidos e mentiras do cavalo que não está lá

Pois eu pedi a minha carona



Hoje espero pacientemente, naquela encruzilhada.

O cavalo que me deixou

Aquele que me perguntou

As 3 e em 3

Nada mais declarou



E eu perdi a minha carona

Perdi o sol e a lua no mesmo dia

Mas ta tudo bem

Ta tudo bem

O meu cavalo pálido ainda respira



Pois eu perdi a minha carona

Era o que o meu sempre dizia

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