quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Eu tenho uma teoria que é uma ideia boba

Eu tenho uma teoria que é uma ideia boa. É mais ou menos assim: a vida "brinca" selecionando gente que precisa evoluir, se emancipar, colocando-as em lugares bem difíceis de viver, que é para ver se elas vão desistir de estarem nesses lugares, se empenham em mudar tais ambientes, contagiar outras pessoas, contribuindo para o seu próprio crescimento e dos outros. 

Quanto mais difícil é o lugar maior o desafio de transformá-lo. Vejamos por exemplo os professores da rede estadual pública de qualquer estado brasileiro, sobretudo o Maranhão. Ganham pouco, são desrespeitados em suas condições de trabalho, são insultados, violentados física e simbolicamente pelos alunos e ainda assim amam o que fazem, não desistem, alguns, de suas tarefas de educar. 

Outras pessoas nascem ricas, ou vivem vidas muitas tranquilas, sem sobressaltos, sem grandes desafios de transformação da realidade. Pessoas com compromissos de transformação pessoal são sempre angustiadas, geralmente carregadas, as que apenas querem sorver a vida, não. 

Ai, a gente convive com pessoas de toda ordem, interesses e conflitos. As vezes no mesmo ambiente de trabalho tem sempre um grupo que carrega o piano e outro que senta nele para ser carregado, embora ambos tenham a mesma responsabilidade. 

É difícil a convivência humana, por isso ela é tão instigante, desafiadora. Desistir é pior porque ai a vida emperra. Enquanto a gente não entender o que no outro incomoda tanto em nós não vamos conseguir conviver conosco mesmo. 

Fico me perguntando como vim nascer e viver no Maranhão, um dos estados mais pobres da federação, um dos mais injustos e cruéis com seus habitantes. É rico potencialmente, pobre socialmente. Viver aqui é mágico pela riqueza da cultura e ao mesmo tempo angustiante pelas condições politicas. O correto é sair, não é? Sim e não, já que não há julgamento moral em tomar a decisão de sair e escolher outro lugar para viver, mas desistir de lutar e enfrentar as questões sociais deste estado e deste pais é como abandonar o posto da linha de combate que a vida te colocou. A gente só avança de posto quando cumprimos uma função anterior. 

Assim é na vida. Não adianta reclamar que as coisas não acontecem, precisamos fazê-las acontecer. Não adianta reclamar e não mudar, precisamos nos perguntar que escolhas e caminhos traçamos para estarmos exatamente onde estamos. 

Esse papo aqui não é de auto-ajuda não e nem literatura de Poliana, é que se não entendermos as condições sociais de um lugar, suas condições históricas, não conseguiremos nos situar dentro desse universo. 

Acaba de ser divulgada pela internet a existência de um depósito de livros didáticos que estão mofando, não foram entregues aos alunos no Maranhão. Legal a divulgação da denúncia via facebook, mas me pergunto, nos vamos às ruas protestar? E quanto ao escândalo do abandono do hospital Socorrão em São Luis, o que fizemos? Quantas marchas contra corrupção acontecem todos os meses? Protestamos em frente ao Ministério Público quando ficamos sabendo de algum escândalo de desvio de verba, merenda escolar? 

O que impera nesse pais é um non sense, uma sensação de abandono, um desânimo por não acreditarmos em nossas instituições públicas, eivadas de corrupção. Corrupção existe em todo o lugar e aqui ela é endógena, produziu gerações inteiras de pessoas passivas que se acostumaram a ideia de que a desonestidade já vem com a chupeta, é normal, e quando as pessoas banalizam a anti-ética, somente um choque comportamental pode mudar, e choque comportamental só vem com a educação. 

O que fazer até a mudança chegar? Acordar todos os dias, brindar por estarmos vivos, fazer nosso papel individual, agir coletivamente, cobrarmos politicamente nossas instituições e sermos felizes!!!

Somos o que podemos ser!!                           

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