quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A pobreza política no Maranhão

Acredito que em vários estados brasileiros também seja assim, só não consigo dimensionar a extensão. Morei 3 anos em São Paulo e 1 no Rio de Janeiro, em época de campanha eleitoral, ano que antecede as eleições, o clima de disputa se acirra, os ânimos afloram. Não deu para dimensionar muito nesses estados essa questão, mas no Maranhão...

Peço aos leitores deste blog em outros estados que compartilhem aqui as experiências nos municípios logo depois do escrutino eleitoral e como ficam os rearranjos por cargos e pastas. Aqui a coisa é braba, com características de guerra civil. 

As coisas no Maranhão ganham sempre dimensões estratosféricas devido ao alto grau de pobreza do estado, logo, de dependência da máquina pública para a existência e manutenção de várias famílias. No continente, digo, para além da ilha de São Luis, praticamente não há indústria, raras exceções, via de regra as cidades no Maranhão vivem do comércio e do funcionalismo público municipal. Ai que a coisa pega. 

O prefeito possui na manga um instrumento de barganha politica, cooptação, coerção, capitulação, enfim, ele é Deus, mas um deus ruim, pode tudo. Se alguém é oposição, subiu no palanque do candidato adversário, caso perca as eleições, o grupo vencedor fatalmente fará uma caça às bruxas; pedirá cargos, demitirá, quando não transfere o funcionário da sede do município para a zona rural, forma de punição.

Aqui meus caros leitores a coisa é tão séria que dá até morte, inimizade, divide família, dá mal querencia,  enfim, acontece de tudo. Quando existe uma extrema dependência do funcionalismo publico municipal é isso que dá, ou seja, tudo gira em torno da politica, quer dizer, da politicagem. 

Ai é que se revela a extrema pobreza deste estado. O grupo vencedor tão pouco importa se o grupo adversário possui quadros competentes na estrutura administrativa, se existem projetos interessantes sendo executados, não, rifa, pune, ameaça da forma mais vil e sanguinária, tudo em nome do "poder" exercido a partir da máquina pública.

É a velha estrutura colonial patrimonialista imperando em pleno século XXI. No Maranhão acontecem coisas que até Deus duvida. As estranhas da pobreza e da concepção do que vem a ser publico aqui ficam mais expostos, mais visíveis, mais aflorados. O racismo, o mandonismo local, o patriarcalismo, o autoritarismo, são práticas comuns. 

Como Bourdieu mui bem definiu o conceito de habitus, essas práticas de tão corriqueiras se tornam  irretorquíveis. Não se consegue sequer discutir com pessoas ligadas aos prefeitos o porquê da torpeza dessas praticas, consideram mais que naturais.

Quando isso vai acabar? Quando o estado se desenvolver economicamente, quando as estruturas educacionais atingirem outros patamares, quando houver liberdade de imprensa, quando as pessoas não tiverem medo do judiciário, enfim, quando muita coisa por aqui mudar. Até lá, de quatro em quatro anos as famílias no interior do Maranhão sofreram a instabilidade da condição politica por conta dessa percepção sobre o que é o publico.

A bem da verdade, não existe o que é publico no Maranhão.                

2 comentários:

  1. nunca tive oportunidade de morar em outro estado, ou seja, nao conheço as suas realidades, e o pouco que conheço é atraves da midia ou pelo que estudo, mas comparado ao nosso maranhao, nunca ouvi falar em coisa igual.
    entra mandato e sai mandato e a tendencia é só piorar, os ultimos escandalos podem comprovar o q vc henrique està falando, na educação, saude, infraestrutura, os desvios de dinheiro, os desperdicios com o bem publico, totalmente o descaso.
    O que ainda acho mais engraçado é que quando chega em época de eleiçao as pessoas ainda faltam se matar por causa de pessoas q naum estao nem ai pela populaçao.
    caso q podemos ver bem nessa ultima eleiçao.
    felipe soeiro.

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  2. O ditado da mosquinha verde pra mim é bem verdade: " Quando a mosquinha verde da política entra, ela não sai mais."
    Ao entrar nesse meio, seja de qual lado for, pode ter certeza que de lá você não sai mais. E então, quem vai querer perder o comando?!

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