sábado, 9 de fevereiro de 2013

Pós-modernos e Neo-marxistas: velhas questões, velhos debates

O termo pós-moderno não é o mais correto, afinal, pós-moderno implica supressão, ultrapassagem da modernidade, e isto acredito não ser o mais lógico, mas sim, ultramoderno, ou seja, uma etapa avançadíssima da modernidade. 

Debates acerca do conceito de pós-moderno – tal termo surgiu na década de 1930 dentro do campo da arquitetura para diferenciar etapas estilísticas dessa área – atravessou o século XX permeado de trincheiras ideológicas de quem os defendia e de quem os atacava. Ambos os lados estavam certos por caminhos diferentes. Considero que pós-modernos e neomarxistas criticavam a mesma coisa, só que de formas distintas.

A crítica dos pós-modernos recaía sobre o projeto moderno de civilização: razão, progresso, felicidade, a crítica dos marxistas e neomarxistas era sobre a falta de perspectiva de mudanças dos pós-modernos sobre a falência do modelo burguês de felicidade. Um dos equívocos dos pós-modernos foi desconsiderar que tudo que era derivado da modernidade: estado moderno, luta de classes moderna, razão moderna, havia desaparecido, consequentemente, o panegirico disso, a ideologia, também. 

Acalmadas as águas turvas das velhas trincheiras armadas de ambos os lados, os novos atores sociais, independentemente de suas posições dentro dos campos, se marxistas ou não, têm recolocado velhos debates pós-modernos de forma muito interessante, casos de Zizek, Lipovetsky, Boaventura de Sousa Santos, Marilena Chauí, dentre outros. 

Um dos debates ainda em voga diz respeito à questão da forma de representação da política na democracia, o velho lema do papel do estado, bem-estar social, o aparelhamento do judiciário, o papel da mídia, os sentimentos, os laços efetivos, e sobretudo, as identidades sociais e coletivas em tempos de superexposição midiática.

É claro que não há dissociação entre capital, mercadoria e seu referente presentificado nos sujeitos sociais redefinindo a questão da subjetividade, no entanto, os pós-modernos tratavam do nômeno, ou seja, da relação entre capital e subjetividade já em seu estado latente, reificado, quer dizer, como fenômeno, não estavam preocupados em discutir como derrubar o capital e constituir uma sociedade igualitária, e sim, o que o capital fez com as pessoas. Destarte, boa parte do construto teórico pós-moderno se voltava à crítica sobre os novos sujeitos sociais, o que nos tornamos, como chegamos até aqui.

Por seu turno, os marxistas e neomarxistas estavam voltados para a crítica ao capital e o que ele havia feito com questões como cidadania, estado, pátria e congêneres, mas ambos estavam criticando sim o que havia acontecido pós-triunfo do capital.

Os marxistas estavam corretos, a história não acabou e velhas questões foram retomadas: militarismo, república, democracia, a questão racial, a questão sexual, imperialismo, mercado de capitais, ou seja, algumas antigas bandeiras necessitam de novos olhares, novas estratégias de abordagem, afinal, o capital continua triunfante.

No entanto, há uma questão que une neomarxistas e pós-modernos: o problema do simulacro. O capital constituiu uma nova subjetividade redefinindo a relação entre sujeito, espaço, tempo, família, política, sexualidade, dentre outras questões. Os pós-modernos apontaram o prognóstico, mas descuidaram do diagnóstico, os neomarxistas, alguns, acertaram o diagnóstico, mas se esqueceram de aprofundar com tanta propriedade quanto os pós-modernos alguns sintomas da nova subjetividade, exceções de Marilena Chauí, Zizek e Lipovetsky, dentre alguns outros.

Um novo homem e uma nova mulher já surgiram deixando para trás velhos paradigmas modernos. Algumas condições ônticas e ontológicas dos sujeitos da forma como foram se reconfigurando na ultramodernidade necessitam de novas reflexões, novos olhares e a conjugação entre diagnóstico e prognóstico devem apontar uma nova perspectiva. A questão é: qual prisma vamos (re) colocar o debate sobre a condição humana? Penso que não outro que não o da dignidade, das condições de acesso, da democratização da informação e do consumo, portanto, da equidade e igualdade humana.

Se o capital foi capaz de redimensionar o paradigma da natureza humana, agora o desafio é traçar novas perspectivas desses novos homens e mulheres. A perspectiva de crítica ao capital deve unificar setores e campos adversários, deixando de lado rótulos de escolas, antagonizando teoremas que falam da mesma coisa, só que de formas diferentes.




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