sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Shirley's Aster's

Sobre uma tábua estreita, desta vez polida, suportando os pesos das existências, fazem um palco trocando as mãos pelos pés; são delicados, calmos, sapateando arritmicamente sem som dos passos. As mãos correm nos instrumentos de conhecimento como se fossem letras do sapateado imitando Shirley Temple, buscando de forma própria suas identidades. 

As bocas abrem e fecham completando a cena teatral, acompanhando a música ao fundo sem entender sequer uma só fonia executada. São dois para lá, dois pra cá, são profundos e simples, improvisados, mas não são passos de Fred Aster.

Desce uma, sobe a outra, mais leve, mais petiz, mais desengonçada, mais imitando que criando, a criação já é em si a imitação, ou melhor, a imitação já é uma criação. Por isso mesmo é tão singelo quanto uma forma de expressar o que a música ao fundo, mesmo sem saber a letra, é capaz de fazer quando se sobe num palco de tábua estreita e polida feita para suportar o peso das mãos, mas serviu para abrilhantar os pés. 

De novo os instrumentos de conhecimento como se fossem letras do sapateado, dessa vez, a boca que abre e fecha não é capaz de acompanhar a música ao fundo, porém, é tão teatral quanto. 

O sofá posicionado à frente do “palco” e mais baixo vira plateia, boca de cena privilegiada das Shirley Temples que sonham serem Fred's Aster's sem nunca o terem conhecido. Não importa!! O mesmo impulso, sensibilidade, sentido, estava nelas, na primeira Temple e Aster e em todas que o quiserem imitar ou simplesmente serem o que quiserem.

Enquanto houver graça e gracejo, palco e plateia, música e inspiração, palco de tábuas lisas polidas, haverá sempre um sapateado a encher nossos olhos, mesmo quando não for nem Shirley Temple, nem Fred Aster, apenas pernas delicadas buscando suas próprias identidades.             
       










Um comentário:

  1. Muito bom prof. A dança tem uma magia que encanta a todos que estão atuando ou assistindo. É revigorante.

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