terça-feira, 6 de novembro de 2012

Aquele Querido Mês de Agosto, um filme de Miguel Gomes

Para minha amiga Fátima Velez de Castro 




Em 16 de outubro deste ano, publiquei uma crônica intitulada Iberismos, sobre o registro fotográfico de vilas históricas portuguesas e espanholas poeticamente registrada na obra Transversalidades: territórios, diálogos e itinerários ibéricos.

Pois bem, considero o filme Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes, o equivalente em forma de película sobre um Portugal quase completamente desconhecido de muitos, sobretudo dos brasileiros. Esse filme me foi presenteado pela minha amiga portuguesa Fátima Velez de Castro.

O filme-documentário é uma obra-prima sobre a musicalidade existente nas vilas portuguesas. Concatenando música e cotidiano, o documentário passeia pelos tipos e hábitos dos nossos irmãos lusos de uma forma mui singular. É uma mistura de documentário e ficção com uma boa pitada de metalinguagem cinematográfica.

A riqueza fica por conta de como o diretor encena musicalidade e paisagem, no seu amplo aspecto. A vida no interior das vilas é recheada pelos tipos locais, seus depoimentos, rapsódias, interatividade e claro, seus padrões de sociabilidades. 

Em cada vila uma banda, cada banda um estilo musical diferente que certamente não atingirá os grandes centros e nem será executada nas grandes frequências de rádio mundo-afora: é pitoresco, minimalista, singular, singelo e especial demais o que se toca nessas paragens.

O curioso é que muito da musicalidade existente nas vilas e cidades portuguesas se relacionam com a brasileira, sobretudo do interior do Brasil.

Sérgio Buarque de Holanda, historiador, afirmou que os brasileiros herdaram no sangue uma bosa dose de lirismo português, além da feição da cordialidade, fruto de anos de contato com os mouros. Muito do estilo musical lembra os ritmos do interior do Nordeste e do Norte, além da transmigração cultural, afinal, a música brasileira também chegou em terras de além-mar.

A professora Adriana Facina, da UFF - Niterói-RJ, estuda a relação entre fado e brega brasileiro. Eu a aconselho a ver tal documentário, pois a relação musical entre os dois países ultrapassa e muito esses dois gêneros musicais.   

Desfiles de motos, grupos de acordeões e bandaleons, procissões, matança de porco, a influência moura, os repentistas, lembrando os trovadores modernos, são alguns dos aperitivos dessa película de encher os olhos, afora uma visão de Portugal quase intocada para estrangeiros. 

São registros imagéticos feitos em épocas distintas, por isso mesmo Transversalidades e Aquele querido mês de agosto se completam; ambos são formas sensíveis de captar um mundo em rápida transformação e aceleração, ainda bem que tais documentários transversam um tempo em suspenso, deixando para sempre um gosto todos os agostos com jeito de não acabar nunca mais. 

Parabéns a toda a equipe do filme.           

4 comentários:

  1. Nossaaaa!!! quando entro pela 1 vez no seu blog, já me chama atenção esta citando o mês de agosto (meu mês) fiquei curiosa em assistir ao filme. Vou atrás. Muito bom seu blog Sucesso!

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    1. Que bom minha querida que gostaste. curta mais o blog, divulgue. ele é seu. aproveite.

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  2. Obrigada Henrique, fiquei honradíssima!!!

    Um grande abraço lusitano :)

    Fátima Velez de Castro

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    1. que bom que gostaste fátima. abraços brasilicos de terras d'além-mar

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