quinta-feira, 1 de novembro de 2012

cinematographo de sonhos

Uma mola de corda de uma caixinha de música apertada por mãos delicadas abrem um som singelo ecoando no espaço agudo como o címbalo retintante conjugado com cenas telúricas de uma paisagem irreal;
são sonhos, quimeras, imagens inenarráveis,
a razão consciente não dá conta das cenas indecifráveis;
duas bailarinas sobem ao pequenino palco; mãos graciosas, passos trôpegos, cambaios,
uma luz se projeta no espaço focando as sombras ampliadas das bailarinas,
suas imagens sobrepostas se confundem com as cenas telúricas,
a mola já não mais precisa de corda, ganha vida em si mesma,
as mãos delicadas não se preocupam se o som singelo vai acabar, nasceu de sua vontade imensa de estar num lugar que somente quem deseja e projeta um mundo irreal é capaz de dar moto-continuo à uma mola que não precisa de corda,

a corda que movimenta o som e projeta a imagem é a fonte inesgotável do coração de quem possui as mãos delicadas que desenham traços contornáveis no ar, piruetando com o vento, imitando gracejos de duas bailarinas, cujas bocas entoam o som de um címbalo retintante, abrindo cenas telúricas de paisagens agora reais, pois não se separam sonhos, quimeras e realidade, só existe o real: aquele cuja caixinha de música apertada por mãos delicadas jogou imagens como um projetor – um cinematógrapho de sonhos – exibindo cenas no espaço, nascidas dos corações de duas bailarinas, dançando num pequenino palco e voando num imenso cavalo alazão.   

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