terça-feira, 30 de outubro de 2012

A necessidade de ampliação da educação formal no Brasil

Uma das características que diferenciaram a colonização espanhola na América da portuguesa, foi a implementação do ensino superior nos seus Vices-Reinos; as Universidades do México e de Lima foram fundadas em 1551.

Essa estratégia era uma forma de dominação pela cidade letrada de formação de quadros coloniais na administração do imenso território americano, no dizer do critico literário uruguaio, Angel Rama, em A cidade das letras.

Os portugueses não fizeram isso no Brasil. As primeiras faculdades brasileiras são do século XIX, já pós-emancipação politica. As faculdades de Direito do Recife e de São Paulo foram criadas em 1827. Os portugueses impediam até mesmo a formação da imprensa na colônia e controlavam a remessa de livros da Europa para o Brasil. 

A primeira Universidade propriamente dita no Brasil é de 1922, a Universidade do Brasil, atual UFRJ. Se a situação foi assim no ensino superior, quiçá no ensino fundamental. 

Até hoje, em pleno século XXI, ainda existem crianças fora da escola, não há creches suficientes para todas elas, professores são mal-remunerados, escolas caem aos pedaços, alunos agridem professores. Tudo isso é resultado da secular falta de investimento do estado na educação formal.

A educação formal no Brasil sequer conseguiu fazer o que a literatura fez com a Inglaterra na era vitoriana. Com a falência da religião, a literatura inglesa cumpriu um papel ideológico de apascentar os espíritos,  provocar um sentimento de orgulho nacional por conta da língua, levar o sujeito à introspecção, criar um  sentimento de elevação e legar a literatura à condição de status civilizatório, elemento de distinção social, segundo Terry Eagleton em Teoria Literária: uma introdução.

No Brasil, nos séculos XIX e XX poucas pessoas sabiam ler, a literatura era restrita a setores médios, a educação nunca foi elemento de ascensão social, muito pelo contrário, de descrença, afinal, estudar para que se não se enriquece nesse país pela via dos estudos? Além do mais, para a classe trabalhadora ver seus filhos irem para a escola era perder mão-de-obra para os afazeres domésticos. 

Sabem qual é o resultado de tudo isso? Somos um povo ignorante; jogamos lixo nas ruas; poluímos nossas praias; fraudamos nossas provas fazendo colas porque não estudamos; usamos de influência para conseguir o que queremos; não respeitamos os sinais de trânsito; aceitamos subornos e compra de votos; achamos bonito políticos roubarem e assaltarem cofres públicos; não temos consciência social politizada; nos deixamos levar por qualquer discurso redentor; pouco vamos às ruas para manifestações a favor de avanços sociais; nos distraímos com futebol; fazemos festa para tudo; sempre encontramos um "jeitinho" para conseguir o que queremos.

Ao olhar agora o resultado das eleições nas cidades brasileiras, embora tenha ocorrido um avanço de partidos de centro-esquerda em todo o país, ainda existe e resiste a perpetuação de filhos de oligarcas, políticos ligados à corrupção e outros a setores tradicionais, constata-se que ainda falta muito a fazer. Vou fazer minha parte como professor, vou continuar exercendo meu papel. Não desisto nunca da mudança.              

Nenhum comentário:

Postar um comentário