sábado, 3 de novembro de 2012

Os labirintos da alma

Os esforços empreendidos na compreensão do desenvolvimento humano é uma longa marcha em busca de nós mesmos. Da assunção do pensamento ascético, às primeiras formas de dominação humana sobre outros humanos, das guerras, tristezas, descobertas e fracassos, do encantamento com o novo, o pesar das derrocadas, tudo é esforço quase em vão da alma em busca do que lhe apraz, o que apraz não basta.

O que bastaria a alma seria desvendar os olhos que a impedem de ver quem de fato é. O sucesso, a fama, dinheiro, ou tudo o que traz a efemeridade da felicidade, são circunstâncias episódicas e um descanso para a longa estrada. Só que o resiste é a resistência labiríntica dos mistérios da vida. Tudo em volta obnubila nossa visão, tudo é aparência, só os labirintos não. 

O que separa Minotauro de Teseu? Porque Ariadne colocou um fio que indicava a saída? Para que Teseu percebesse diante do seu algoz o quanto de humano havia no touro-homem, ou como o próprio Teseu de herói poderia se transformar no mitológico monstro de Minos.

Quem de fato não enxerga as sombras da caverna de Platão? Os que nunca viram a luz do sol ou aqueles que diante da visão esplendorosa de um raio a arrombar a retina não se compadeciam em fazer "os cegos" a terem suas retinas igualmente invadidas por uma cegueira luminosa de um raio? Quando olha-se para o sol, fechamos os olhos, é muita luz para os pequenos órgãos.

Nem a arte, nem a literatura, nada, absolutamente nada pode preencher eternamente o vazio da alma, a não ser a ciência de que o preencher do vazio reside em continuar buscando. Tudo é transitório, tudo é voraz, tudo passa, só o tempo não. 

Somente a desilusão dos encantos de um ego é capaz da constituição de um outro ego, melhor, altivo, sóbrio. A auto-ilusão, os enganos, as idealizações, só servem para mostrar a alma o quanto de nossas verdades são apenas quimeras, necessárias, apenas circunstancialmente. 

Os que descem aos labirintos dos seus infernos, não evitam as dores, ilusões, desapegam-se de suas vontades, podem efetivamente começar a enxergar o que se esconde por detrás de suas almas. Somente quem enfrenta os seus minotauros podem enfim sair dos seus labirintos. 

     

     

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