segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Mudanças de paradigmas

Quando os gregos após derrotarem os persas e constituírem a Confederação de Delos enquanto um instrumento de arregimentação e coesão grega, o processo de decadência das cidades-estados estava em marcha. A divisão política-administrativa foi o elemento da derrocada do império, dominado depois pelos macedônios.

Os gregos na eminência de serem dominados pelos vizinhos apregoaram o fim de uma era, o que não se confirmou, já que Alexandre, admirador dos gregos, foi o responsável pela difusão e criação de uma cultura helenística.

Quando o império romano anunciava os sinais de sua debaclê, muitos afirmaram que seria o fim do mundo. De fato foi, o fim de uma concepção de vida e o inicio de outra, a cristã, afinal, imperadores como Constantino e Constantino I, através de editos, primeiro permitiram a liberdade de culto aos cristãos, depois, fizeram dessa religião oficial, universal, do latim, católico.

O medievo, assentado sob as bases do antigo império romano, o retorno, a ressignificação da cultura helenística foi um dos leitimotivs do Renascimento que fundaria a cultura ocidental sob o binômio: cristianismo-razão filosófica grega. Tanto o Renascimento foi interpretado enquanto o fim da cristandade  quanto o empirismo-sensista e o nascimento da ciência moderna com Descartes, Bacon, Copérnico  Galileu, também foram compreendidos como a decrepitude humana, isso sem falar na crise ética apregoada com Maquiavel. O que se assistia era o nascimento da modernidade e a mais radical quebra e mudança de paradigma do pensamento ocidental até então.

Quando o capitalismo trinfou no século XVIII muitos afoitos e eufóricos vibraram dizendo termos atingido o ápice da existência humana, o inicio de um progresso sem fim, corroborada com teorias como o Positivismo de Comte no século XIX, sobre a qual afirmava ser a sociedade positiva a razão última de nossa evolução.

Até chegarmos a Primeira Guerra Mundial e tal evento jogar um balde de água fria na sociedade vitoriana, o fim da belle époque. Assistíamos o romper do mais radical século de todos os tempos, a era dos extremos, no dizer de Eric Hobsbawn.

Com ele também nasceram o nazi-fascismo, a revolução russa e a polaridade entre capitalismo-socialismo. Foi um século de mudanças e de esperanças: sexo, drogas, rock in roll, movimento hippie, maio de 1968, luta contra a guerra do Vietnã  revolução cubana e um desejo incontinente de que o mundo mudaria sua configuração. Até o muro de Berlim ruir em 1989 e o capitalismo trinfar beligerantemente.

O século XXI até então tem sido um século, apesar de ser precipitado qualquer análise peremptória  o do pragmatismo, do individualismo exacerbado  do fim do amor romântico, da busca do prazer a qualquer custo, do abandono de bandeiras como: solidariedade, união, utopias, congeneres.

No entanto, como em qualquer outra época, nenhuma possui uma única face. Estamos sim no limiar de nossa existência, da destruição do planeta e também do ressurgir de antigas práticas que nos tornaram humanos.

Duvido muito que essa sociedade global altamente hedonista, consumista, anti-solidária, tecnicista e até anti-ética, suporte por muito tempo a falta de solidariedade, de humanismo e de utopias. Há sinais de resistência e de mudanças, como em qualquer época.

O ser humano não suporta sua desintegração.            

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