terça-feira, 20 de novembro de 2012

Memoráveis

Para Sara, Bruno e Davi


COISAS PARA SE GUARDAR: 

Estava escrito num metrô de Lisboa: “Ser autor é trazer-nos inédito o que ainda pertence ao conhecimento geral”; 

Admiro as pessoas que nunca deixam de existir”;

Uma chuva fina escorre a água levando a folha seca que caiu do outono;

O bacalhau no restaurante do Seu Antonio em Picoas;

O Tejo que é de uma dimensão do mar;

Visitar a terra dos meus antepassados em Vila do Conde;

Saborear uma “francesinha” em Guimarães;

Perceber os olhares que dizem tudo; é um ser sem ser; um não querer sabendo por que; um não-falar porque a mudez é a melhor forma de expressão; um não-tocar porque sente; 

Ver a espumosa banhando a avenida do Brasil no Porto;

Pisar a areia grossa do mar do Porto, sentir a água gelada encharcando meu tênis de pano, molhando as meias, banhando os pés;

Ver o mar agitado arrebentando nos faróis;

Não ter palavras diante da beleza da Ribeira;

Andar nas nuvens olhando o Porto lá embaixo lembrando um presépio, ver as luzes da cidade refletidas no D’ouro como espelho de uma noite de céu estrelado;

Morrer de rir com as loucuras de Sara, estupefar-se com a inteligência de Bruno;

Se emocionar ao ver as lágrimas do miúdo Davi se despedindo de mim, não entendendo seu português gálico, mas compreendendo que a linguagem do afeto é universal;

Jogar uma garrafa ao mar com um bilhete: “meu lugar é onde meu coração está. Ele está com minhas filhas e aqui agora ao mesmo tempo”;

Dar uma fugidinha em Madrid, comer um pato ao molho de salsa;

Dar boas notícias às pessoas;

Sentir os olhos mareados ao falar com minhas filhas;

Ser recebido calorosamente pelos meus amigos Cesar Paltriniere e Anna Casella na Itália;
  









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