sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Diminuição do estado versus bem-estar social

Qual é a função do Estado? De que tamanho ele deve ser? Quais são suas prioridades e prerrogativas? Essas questões não são novas, no entanto, todas às vezes que uma crise dessa proporção, sobretudo em regiões outrora centros da acumulação capitalista como a Europa acontece, esse debate volta à tona.

Ontem, na última conferência na Itália na Universidade de Gênova contando com a presença de italianos especialistas em Brasil essa foi a tônica. Está claro que o problema da Europa, grassada por uma grave crise financeira, é antes de mais nada uma crise de confiança. 

Desconfiança de que? No futuro. A questão é que depois da Segunda Guerra Mundial a Europa está retroagindo quanto aos avanços conquistados historicamente pela redução do Estado no que tange à qualidade de vida,  à educação, saúde e trabalho. 

É certo que o capitalismo é cíclico, portanto, depois que os europeus atingiram um patamar de vida em que  não necessitam mais de tanto consumo, já possuem duas, três casas, carros, o capitalismo avança para regiões onde possa se oxigenar: América Latina, Índia, Rússia e China.

Há ainda outros problemas: a indefinição entre esquerda e direita, a falta de projetos e direção social, essa falácia chamada austeridade fiscal que sacrifica questões importantes como educação, saúde, habitação. 

Na Itália, por exemplo, toda família possui poupança, 80% dos italianos vivem em casa própria, existem famílias que vivem da produção agrícola, não existe latifúndio na Itália, e os mais pobre sobrevivem com 700 euros. A questão é a falta de emprego para os mais jovens, a diminuição do consumo, mas, sobretudo, o que vai acontecer daqui para frente, já que as previsões mais otimistas falam de dez anos de crise. 

Ainda assim, existem 22% de pobres na Itália, leia-se, pobreza relativa, não se pode comparar com a brasileira, a taxa de desemprego chegou aos 25%, alta para os padrões europeus.

Nesse artigo não dá para explorar as contradições da comunidade européia e porque Itália, Espanha, Grécia e Portugal são os que mais sofrem com a crise, a questão é que países como o Brasil desde o governo Lula e agora Dilma apontam para um sentido contrário ao da Europa, ampliação do estado. 

Criticas à parte aos governos Lula e Dilma, tenho muitas, o Brasil começa a gozar de uma prosperidade econômica, da redução da pobreza, da elevação dos índices educacionais, do aumento do consumo, da renda, enfim, de todos os indicadores sociais. 

No Brasil as coisas estão muito longe de serem ideais, mas uma coisa é certa: temos um projeto, um futuro e  uma perspectiva, e a Europa? Há que repensar qual é a função, o papel e a importância do Estado.              

2 comentários:

  1. Falando da realidade que tenho visto na Alemanha como estrangeira q sou, a Forca do Estado é muito forte, quanto a producao industrial é super ativa e até a producao agricola mas aqui os produtos sao vinhos, queijos, morangos, frutos vermelhos, enfim o que paga a exportacao tranquilamente de outros produtos, por isso muitos vem para cá com seus diplomas, estao vindo levas e levas de gregos e espanhois, mas antes destes virem já havia muitos turcos, árabes e africanos integrados e integrar estes que estao a vir agora está complicado, aos ja integrados que falam fluente o alemao já sao empregados por aqui e mesmo aqueles que nao sao mas possuem residencia definitiva ou sao refugiados o governo assume o aluguel, assistencia medica e educacional, o minimo para a subsistencia e tudo no mesmo nível seja para estrangeiro já integrado ou cidadao alemao, quando se encontram em desemprego, coisa q no Brasil nao acontece, se vc estiver desempregado vai ter que se virar nos 30 e morrer no SUS e etc.
    Nao é uma critica é uma constatacao, mas nao da para comparar 80 milhoes com quase 190 milhoes de habitantes e 500 e poucos anos de Brasil com esse povo germanico de lá do século VIII...

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    1. acho que a questão fundamental é: o estado precisa definir prioridades, e penso que educação, saúde, habitação e segurança são inquestionáveis. No Brasil estamos muito longe do bem-estar social, por isso a sociedade precisa continuar pressionado.

      abraços

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