quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Luto Histórico



Ana Cristina Teodoro da Silva 


Ontem eu fiquei verdadeiramente triste com a morte de Eduardo Campos. Apenas hoje pude juntar palavras ao sentimento, vindas (claro!), de um velho, Cristovam Buarque. Ele, que conta 70 anos, se diz órfão, não tanto da orfandade de um amigo, que gera sensação de desproteção, mas de orfandade política, que gera a sensação de falta de esperança.

Buarque teria nesses dias uma reunião com o candidato morto, Campos queria ouvir como erradicar o analfabetismo no Brasil. E Buarque (atenção quem acha que todo político não presta) tinha duas coisas a dizer-lhe: 1) o governo federal deve responsabilizar-se pelas escolas das prefeituras que não tem como mantê-las dignamente, enviando para lá professores em um programa federal. Penso: isso poderia ser o início de uma lenta revolução nesse país.  2) precisamos de um candidato que diga que enquanto houver uma família necessitada, haverá bolsa-família, mas enquanto houver essa necessidade eu não descansarei. E o caminho para não termos tal necessidade passa pela educação.

Buarque não será candidato nessa eleição, o que só aumenta minha admiração. Diz-se sem entusiasmo, não com a política, mas com os arranjos políticos atuais.

Mais cedo ouvi um trecho de análise que considerei muito importante, também. O Brasil tem uma carência de lideranças que resulta do período da ditadura militar (quem falou? Míriam Leitão! Acho que Campos é um dos que sabiam que os “bons” não são tão bons, e alguns “ruins” não tão ruins. Problemáticas são as oposições artificiais com pólos semelhantes). Quantas potências de vida teriam trabalhado esses anos todos se não tivessem sido mortas, caladas por um regime moralista e autoritário?


Enfim, é um alento entender o que sentimos, percebo que minha tristeza é desesperança, é o peso de nossa herança histórica, significadas nas mortes de ontem.

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