terça-feira, 8 de novembro de 2011

confiança e credibilidade

Philippe Condorcet sempre foi gente de boa fé, sempre achou que credibilidade era sinônimo de confiança, sobretudo quando se tratava dos amigos. Ele vivia as estreitas com duas amizades muito dísticas: a de Augusto Venturoso e a de Joelma. 

Augusto Venturoso era gente de boa cepa, falastrão, boêmio, poeta, fumante, apreciador de uma boa cerva, boa música, bebia sempre no mesmo bar, às vezes sozinho, confabulando e desenhando um mundo a partir de seus poemas-epitáfios. Não parava em emprego, gravata e pasta preta nunca fora seu mote predileto. Apaixonava-se a cada mulher que adentrava no bar do Joaquim, português mal humorado que tratava mal os clientes por saber da qualidade musical do seu acervo e também por apostar que gente como Augusto são fiéis aos seus amores, mesmo quando maltratados.

Joelma era funcionária pública, correta, disciplinada e determinada, embora pusilânime. Sempre recorria aos conselhos de Condorcet para tomar decisões. Era uma daquelas pessoas cuja palavra era certeira, não vacilava, havia credibilidade no que dizia. 

Certo dia, Condorcet foi tomado de surpresa com a sua demissão. Justamente quando havia assinado um contrato de compra para o seu apartamento, sinalizado com um percentual relativo de entrada, podendo até voltar atrás, mas traria muito desconforto e complicações, inclusive creditícias, afinal, fez um empréstimo no banco para tal entrada no imóvel. Dali a dois meses teria que dar o sinal definitivo para a aquisição da chave. Que fazer, pensou?!!! Como sinônimo de credibilidade recorreu à amiga Joelma, contou o seu drama e perguntou se quando necessário, num prazo de dois meses, poderia contar com um empréstimo de dinheiro e assim que voltasse a trabalhar pagaria tudo, inclusive com juros. Joelma foi enfática: – Não se preocupe, quando precisar conte comigo.

Dois meses se passaram... Quando Condorcet recorreu a Joelma, foi tomado de surpresa com a notícia de que ela possivelmente teria que emprestar um dinheiro a sua irmã que precisava comprar um carro, sem o qual não poderia se sustentar, trabalhar e se manter, era instrumento de trabalho. Condorcet se desesperou e se decepcionou com Joelma, afinal, quantas e quantas vezes estendeu sua mão e a ajudou quanto mais precisava.

Triste e sorumbático foi ao bar do português malcriado para afogar sua tristeza. Lá encontra-se com Augusto Venturoso que, vendo o amigo triste e sorumbático, pede uma cerva bem gelada e música do MPB4 amigos é para essas coisas. A par do que se passava, prometeu ajudar Condorcet. Desconfiado, Condorcet sorriu de soslaio, afinal, seu amigo era bom para conversa, mas não tinha credibilidade em nada do que falava, a julgar pelas incessantes mentiras que contava sobre a relação com sua namorada, era um misantropo empedernido e sempre distorcia sobre os fatos, sempre a seu favor, sempre de forma patética.

Dois dias depois, ao consultar sua conta bancária para averiguar por quanto conseguiria viver até o final do mês, surpreendeu-se com um valor existente um pouco acima do necessário para a compra da chave do apartamento e começou a se indagar como aquele dinheiro havia parado ali e quem era o responsável. Toda a gente passou pela cabeça dele. Alegre, ligou para Venturoso para colocar a par das novidades. De volta ao bar, após contar o inédito, seu amigo sorriu. Foi aí que Condorcet se deu conta de que tinha sido ele, mas como? Dias antes quando beberam no bar, ao ir ao banheiro, Venturoso abriu a carteira de dinheiro do amigo, sacou o cartão do banco com o número da conta e fez o depósito. Mas não só. Comunicou a Condorcet que a partir de seus contatos havia descolado um trampo, não era muita coisa, o suficiente para viver dignamente até conseguir algo melhor. Condorcet chorou. Foi aí que se deu conta do seu enorme estereótipo sobre as pessoas e sua visão sobre amizade.

De volta para casa, andando lentamente pensou: “às vezes é melhor ter confiança nas horas certas em certas pessoas que do que crédito naquilo que elas falam. Toda confiança é baseado em certo crédito, e todo crédito pressupõe uma confiança, mas nem todo amigo é crível no que fala, mas é melhor ser seguro no que faz”.                       


4 comentários:

  1. É... quem vê cara não vê coração.

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  2. Henrique, indico o blog abaixo. Foi criado pelo Rodrigo Raposo, colega da UFMA, que atualmente se encontra no doutorado no RJ. Abração.
    Rubinho

    http://desafiosdobrasil.blogspot.com/

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  3. obrigado rubem filho e rodrigo raposo. vou dar uma olhada nesse blog desafiosdobrasil.blogspot.com

    abraços

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