quarta-feira, 10 de julho de 2013

Uma magrela e uma pimentinha

Saudades da magrela e da pimentinha,
daquelas de doer como uma dor latejada como quem deixa escapar um tijolo de seis furos
e cai no pé, inchando, futricando, moendo o pisante,
como quem procura no vazio da casa a briga entre as petizes arrancando cada uma o braço da Barbie,
como quem acorda e mesmo sem nada nos braços, vazios pelos pesos ausentes, descreve um colo acolhedor todas as manhãs quando carrega ainda sonolentas as mais belas criaturas que eu fiz,
de sentir uma dor no peito procurando o riso inocente de alguma paspalhice feita,
de quem ainda precocemente já sabem os caminhos das diatribes ao gozar de quem as protege,
de quem cuida ao serem cuidadas, de quem ama ao serem amadas, de quem briga ao serem chamadas à atenção,
das que fazem piruetas e rodopios no banco de trás, trazendo sempre o desafio da gravidade e a elasticidade como se estivessem num palco, num teatro absurdo de brincadeiras e traquinagens,

Saudades de quem ao telefone contam das aventuras no rio,
das novas amiguinhas e amiguinhos,
de tudo quanto é novidade,
da viagem encantadora que só aumenta a dor latejada,
que se preocupa com as correntezas provocadoras de aventuras,
a distância se transforma nos nós apertados dos coletes salva-vidas,
bem apertados, arrochados, que é pra não soltar,
pra proteger as petizes de vozes infantes,
suaves, doces,
e telefone apenas ameniza, mas não estanca a vontade de apertar a magrela e morder a pimentinha....

     


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