terça-feira, 20 de outubro de 2015

Ele chorou


Ele chorou



Foi ali

Na minha frente

Que vi diante dos meus olhos

O homem que tanto admiro chorar.

Chorar pela imensurabilidade da palavra,

Pela impossibilidade de dizer algo sobre a linguagem

Quanto esta, não podendo alcançar a não-palavra,

Já não há algo o que dizer.

Chorou por que se sentiu incapaz de, em tendo algo a dizer, sabe que o fim

Da palavra é não dizer nada.

Quando enfim, não for mais preciso e não tendo mais nada a dizer

Ainda assim vai restar não a linguagem, mas a mensagem.

E o que fazer de nós que somos pura linguagem? Presos à ideia de fazer sermos entendidos

E entender o mundo através dela?

Talvez um dia os poetas entendam que a poesia existe porque nada mais consegue falar do vazio do que ela.

Quando não mais houver vazio até a poesia desaparecerá.   

12 comentários:

  1. Continue fazendo arte para alcançar outros tantos silêncios e vazios. Namastê.

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  2. obrigado por suas palavras. Namastê. Vou tentar continuar dizendo algo que não entendo, mas que sinto vontade de falar

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    1. Por nada. Faça da incompletude uma arte passível de identificação. É um dom.

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  3. Respostas
    1. Ana Luiza, É sim. é alguém próximo de quem gosto muito

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  4. Continue escrevendo, por favor, na medida da sua impossibilidade de não dizer.

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  5. Oi Fabío, agora, por incrivel que pareça, não consigo dizer nada... talvez esteja esperando as palavras me encontrarem de novo. Abraços e obrigado querido.

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  6. Ouvi sua palavra na UFMA, campus Codó, nossa terra, e fiquei muito contente. Retorne mais vezes a nossa casa. Sempre será bem vindo. Foi um momento de aprendizado.

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